flanar, verbo intransitivo: andar ociosamente, sem rumo nem sentido certo; flanear, flainar, perambular.

Etimologia: do francês flâner (1808) 'avançar lentamente e sem direção certa'. (Dicionário Houaiss de Língua Portuguesa)



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Segunda-feira, 12 de Fevereiro de 2007

Comunicado Importante


Estamos temporariamente com as atividades suspensas ou prejudicadas.

Quer saber por que?
Vá no meu outro blog descobrir!
Um abraço,
Osc@r

Domingo, 11 de Fevereiro de 2007

Em tempos de aquecimento global...


«Todas as árvores
apaziguam o espírito.
Debaixo do pinheiro bravo
a sombra torna metafísica
a silhueta de tronco e copa.
Em volta da ameixoeira temporã
vespas ensinam aos meus ouvidos
louvores. As oliveiras não se movem
mas as formas da essência desenham-se
cada dia com o vento.

Na sombra
os frémitos
acalentam o
pensamento
até ao não pensar.
Depois até sentir a vacuidade
no halo de flores que o envolve.

Sob as oliveiras, por fim,
que não se movem contorcendo-se,
concebe o não conceber.»

"Infância", in Três Rostos (1989)
Fiama Hasse Pais Brandão
1938-2007

Sexta-feira, 9 de Fevereiro de 2007

Rolando Boldrin


"DITO PRETO E O GUARDA"

O Dito tinha comprado um caminhãozinho ano 1928, Chevrolet, que não tinha mais onde estar estragado. Mas para o que ele queria tava pra lá de bom. Era só para o trabalho de puxar cana nas fazendas das redondezas.
Aos sábados, que era dia de folga, o Dito como sempre toma o rumo da Via Anhangüera. Ao pegar a estrada, eis que aparece um guarda rodoviário, fazendo sinal para o Dito encostar.
Dito foi com seu caminhãozinho para a direita da estrada e, lá embaixo, depois de rodar uns 100 metros, foi que parou com tudo. Não se ouvia mais nem o ronco do motor do calhambeque, de tanto se misturar com o barulho de lata velha e carroceria podre. O diálogo que se seguiu entre ele e o guarda foi assim:
– A carta de motorista?
– Ahn... Essa, num tenho não. Num deu tempo d’eu cumprá a carta ainda.
– Documento do carro?
– Que documento?
– Documento de propriedade do carro. Documento que prova que o carro é seu.
– Pelo amor de Deus! O carro é meu. Comprei ele à prestação do Coroné Lindário. Pode perguntá lá em São Joaquim. Todo mundo me cunhece.
Depois de uma série de averiguações, o guarda percebeu que não tinha jeito:
– O senhor não tem carta, não tem documento, não tem farol, não tem buzina, não tem breque... Olha, meu amigo, se eu for multar o senhor, nem vendendo este caminhão vai dar pra pagar tanta multa. Vamos fazer uma coisa: faz de conta que eu não vi o senhor. Pode ir embora com o seu “veículo”.
– Então, sêo guarda, me faz um favô. Dá uma impurradinha no bicho que eu tô sem bateria tamém...


Adaptado de Contando Causos, de Rolando Boldrin, (Nova Alexandria, 2001) contido em Almanaque Brasil.

Quinta-feira, 8 de Fevereiro de 2007

As Vertentes formadoras da Música de Mato Grosso e o Rasqueado Cuiabano

Foram três vertentes que formaram e ainda formam a musicalidade mato-grossense, sendo que duas, a autóctone e a platina, são as bases primordiais no processo histórico.

Autóctone: A instrumentalização e a musicalidade são de origem local, fruto do coque cultural que os índios da região, negros escravizados e brancos colonizadores, desenvolvida os primeiros anos de fundação das cidades ribeirinhas.

A viola de cocho, o ganzá, o adufo e o mocho, são frutos deste processo.

Os cantos e danças que se fazem com estes instrumentos até os dias de hoje, são as expressões mais antigas da musicalidade do Estado do Mato Grosso, ou melhor dizendo, é o nosso canto primordial.

Platina: A instrumentalização e a musicalidade foram trazidas para a região no processo da colonização, via Estuário do Prata, no séc. XIX, principalmente logo após a Guerra da Tríplice Aliança, (Guerra do Paraguai). Embora já dispusessem do piano, violão, violino, flauta, etc., na camada alta sociedade imperial, estes só eram usados para tocar músicas européias.

A chegada dos imigrantes da região platina: Argentina, Uruguai e principalmente o Paraguai, popularizou tais instrumentos, devido os mesmos serem comuns nas classes mais baixas daqueles países.

Com eles vieram novos instrumentos, como o bandoneon e a sanfona de oito baixos conhecida aqui de pé-de-bode.

Da mescla desses imigrantes com o ribeirinho, vai nascer o sincretismo das vertentes autóctones platinas e a musicalidade e as danças vão começar a sofrer influências, assim como a culinária e até o modo de falar.

Outros Estados Brasileiros: A instrumentalização e a musicalidade foram trazidas com os imigrantes novos, que vieram ocupar o Vale do Araguaia e o Norte do Estado. Com eles vieram o cavaquinho e a viola de pinho. O primeiro instrumento mesclou-se com os grupos de rasqueado, samba e chorinho de Cuiabá, enquanto que a viola de pinho pouco influenciou a música mato-grossense, ficando mais para a região leste no que é hoje o Estado de Mato Grosso do Sul.

Desse instrumento nasceu, na baixada cuiabana, a cantoria da folia dos reis, chamada Folião, praticamente extinto devido a pouca proliferação do instrumento na região. Depois da construção de Brasília, a migração paulista, mineira, e goiana intensificou-se, vindo a seguir a sulista, com os gaúchos, paranaenses e catarinenses, criando um novo mosaico de musicalidade.

Os nordestinos e nortistas, que já haviam chegado, no final do séc. passado, também apareceram nesta época.

Com o advento da televisão, houve uma grande parafernália de fluxos musicais de baixo teor cultural, causando assim uma confusa visão, tanto do músico, quanto da comunidade presente, principalmente nas cidades novas.

Texto do músico e pesquisador Milton Pereira de Pinho - Guapo.


O RASQUEADO

O Rasqueado tradicional, antigamente, era executado na viola de cocho, tendo semelhança, assim, com o siriri e o cururu, enquanto música.

Atualmente, apresenta outras características, utilizando-se amplificadores e instrumentos modernos. A dança é executada aos pares que, abraçados, "bailam" pelo terreiro ou salão de festas.

Comum a todo tipo de festas, desde aniversários, carnaval, o tradicional "chá co' bolo", até festas de santos, o rasqueado costuma atrair novos adeptos que contagiam-se com seu ritmo pulsante, ocorrendo principalmente nos municípios próximos de Cuiabá.

A Definição da Palavra Rasqueado: "... arrastar as unhas ou um só polegar sobre as cordas, sem as pontear". (Acordes em glissados rápidos, rasgado, rasgadinho, rasqueado e rasqueo) - Dicionário Musical Brasileiro - Mário de Andrade.

Origem do Rasqueado Cuiabano: O termo "rasquear la guitarra" é expressão ibérica, de origem árabe-cigana (sul da Península Ibérica).

Em Mato Grosso, a expressão musical Rasqueado Cuiabano ou Dança Popular Mato-grossense, traz no seu processo histórico toda uma saga, que começou após o fim da Guerra da Tríplice Aliança (Guerra do Paraguai), quando os prisioneiros da Retomada de Corumbá ficaram confinados à margem direita do Rio Cuiabá, atualmente cidade de Várzea Grande.

Logo após o final do conflito, estes prisioneiros não voltaram para seu país de origem, aqui permanecendo e espalhando-se ao longo do rio, miscigenando-se e inteirando-se à vida dos ribeirinhos. Essa integração resultou em várias influências; costumes, linguajar e principalmente danças folclóricas: a polca paraguaia e o siriri mato-grossense. A primeira, pulsante e larga, modulada no compasso binário-composto, a Segunda, saltitante, com percussão forte (de origem negra-bantu) . a fusão dessas duas danças resultou numa terceira. O Pré-rasqueado.

O Pré-rasqueado limitou-se aos acordes de siriri/cururu, devido o seu desenvolvimento na viola de cocho, nos chamados Tchinfrins (baile de quiçaça), onde as formas de dançar receberam diversas designações como: liso, crespo, rebuça-e-tchuça ... para mais tarde para mais tarde participar das festas juninas, carnaval ou qualquer exaltação festeira dos ribeirinhos. Na baixada cuiabana, mesclou-se com o chamame pantaneiro, que também estava em formação.

Quanto a melodia e ritmo, o pré-rasqueado alterou-se por algum tempo com facetas duplas, isto é: toadas de siriri apareciam como rasqueado e toadas de rasqueado como de siriri. Com a proclamação da República e a necessidade do maior entendimento entre as duas classes (ribeirinhos e elite), surgiu a oportunidade da popularização do rasqueado.

Mais tarde com o crescimento das cidades, apareceram as primeiras zonas de prostituição, e o pré-rasqueado saiu nas bocas das moças da noite e, do convívio destas com os músicos e coronéis nos cafés, foi também parar nas partituras dos mestres de bandas de música para, mais tarde, aparecer nas retretas (já com vários arranjos de influência musical popular muito comum na época, com o chorinho, valsa, samba, maxixe, tanto de Ernesto Nazareth e outros).

O rasqueado desperta com maior intensidade na população da periferia das cidades, quando começa a ser executado com os hinos de santos (acompanhando Bandeiras do Senhor Divino, São Benedito, etc.) indo aparecer nos chamados chá com bolo.

A música do rasqueado só começa a ser aceita pela elite, nas décadas de 20 e 30, onde Honório Simaringo, Antônio Garcia, Conjunto Serenata e até o piano de Zumira Canavarros e Dunga Rodrigues conseguem infiltrar o rasqueado nas noites de saraus e, também com o endosso das famílias cuiabanas mais abastadas.

A influência do rasqueado chegou ao Rock And Roll... Veja a versão de “A Lua”, um dos rasqueados mais tradicionais na bela versão Rock da Banda Strauss.

Aproveite e identifique na letra vários ícones do cotidiano cuiabano e mato-grossense.

A Lua

(clique + SHIF para ouvir)

(Folclore popular/Henrique e Neno/Zuleica Arruda)

A lua quando vem saindo

Por detrás da montanha

É uma solidão

Até parece uma coroa de prata,

Coração da mulata lá do meu sertão


Vem cá morena, sai na janela

Venha ver a lua como está tão bela


A lua quando vem saindo

Por detrás da montanha

É uma solidão

Até parece uma coroa de prata,

Coração da mulata lá do meu sertão


Vem cá morena, sai na janela

Venha ver a lua como está tão bela



Marili, Marilu

Vem dançar o Cururu

Marilu, Marili

Vem dançar o Siriri


Vou tomar guaraná

Chupar caju, comer banana

Passear com você

Doce moreninha cuiabana


Veja mais sobre a Banda Strauss na sua página da Trama Virtual.

Quarta-feira, 7 de Fevereiro de 2007

O Drink mais famoso do mundo...


O drink de James Bond
A bebida criada em um hotel de
Nova York conquistou o mundo


por Fernando Roveri











O Dry Martini foi criado especialmente
para o magnata John Rockefeller

O mais clássico, amado e requisitado drink do mundo. Com sua receita simples e seu toque sofisticado, o Dry Martini tornou-se obrigatório em qualquer bar de requinte. Consumido mundialmente, o drink foi imortalizado nos filmes do espião inglês James Bond, nos cinemas. O Dry Martini foi inventado em 1910, no Hotel Knickerbocker, de Nova York, pelo barman Martini de Arma di Taggia, e é aristocrático em sua origem. Ele surgiu por exigência do magnata norte-americano John D. Rockefeller, que queria degustar um drink ao mesmo tempo simples e sofisticado. Barman experiente, Martini testou várias combinações até chegar a esta criação, que conquistou Rockefeller e os demais freqüentadores do hotel, como o tenor Enrico Caruso. A partir daí, a combinação de gim, vermute e azeitona conquistou o mundo.

James Bond por

Pierce Brosnan

Até os dias de hoje, uma grande polêmica impera sobre a receita original do Dry Martini. Sempre surgiram dúvidas sobre a quantidade correta de gim e vermute que devem ser colocados na bebida, na mesma dosagem feita pelo criador do drink. Esta questão, aliás, não chega a ser esclarecida no livro do norte-americano John Doxat, Stirred, Not Shaken (Mexido, Nunca Agitado, em português). O escritor relata que a quantidade ideal do vermute, para uma dose de gim, é apenas a da sombra da garrafa sobre o copo, ou seja, apenas "um cheiro". Esta controvérsia também faz parte das páginas de outra obra literária, desta vez do grande cineasta espanhol Luis Buñuel, fã ardoroso da bebida. Em seu livro de memórias, Meu Último Suspiro, a receita descrita por ele continha poucas gotas de vermute Noilly Pratt sobre pedras de gelo. A dose de gim era acrescentada depois. O personagem James Bond degusta uma variante da bebida em todos os filmes da série, que levava vodca e vermute, "sempre mexido".

Polêmicas e receitas diferenciadas à parte, o Dry Martini tem uma obrigatoriedade: deve ser bem seco e servido em uma taça de haste fina e borda delicada. Os apreciadores da bebida dizem que essa característica dá um "sabor de viagem" ao drink, pois nasceu em uma das cidades mais cosmopolitas do mundo, a democrática e multifacetada Nova York.

RECEITA DO DRY MARTINI

Ingredientes
1 dose de Gim
5 gotas de vermute
6 pedras de gelo

Preparo
Primeiramente, deixe a taça no congelador por alguns minutos. Enquanto isso, prepare o drink no copo-misturador, mais conhecido como mixing glass. Ponha entre quatro e seis pedras de gelo inteiras, evitando pedaços picados, pois eles derretem facilmente. Retire o excesso de água das pedras do gelo. Despeje uma dose generosa de gim (inglês, de preferência) sobre o gelo. Em seguida, acrescente cinco gotas de vermute, de preferência o clássico francês Noilly Pratt. Com uma colher longa (mais conhecida como bailarina), mexa o conjunto com movimentos rápidos e vigorosos. O drinque é apenas mexido, nunca batido. Retire a taça do congelador e despeje o líquido utilizando um coador de bar. Para decorar, corte uma fina casca de limão, sem a polpa branca, torça a casquinha para que o sumo do limão caia sobre a mistura. Por fim, espete uma azeitona verde em um palito, coloque-a no fundo da taça e sirva.

Fonte: Revista Adega/UOL

Terça-feira, 6 de Fevereiro de 2007

Faça a sua parte...

Era uma vez um escritor que morava em uma tranqüila praia, junto de uma colônia de pescadores. Todas as manhãs ele caminhava a beira do mar para se inspirar, e a tarde ficava em casa escrevendo. Certo dia, caminhando na praia, ele viu um vulto que parecia dançar. Ao chegar perto, ele reparou que se tratava de um jovem que recolhia estrelas-do-mar da areia para, uma por uma, jogá-las novamente e volta ao oceano.

"Por que esta fazendo isso?"- perguntou o escritor.

"Você não vê" explicou o jovem: "- A maré está baixa e o sol esta brilhando. Elas irão secar e morrer se ficarem aqui na areia".

O escritor espantou-se. "Meu jovem, existem milhares de quilômetros de praias por este mundo afora, e centenas de milhares de estrelas-do-mar espalhadas pela praia. Que diferença faz? Você joga umas poucas de volta ao oceano. A maioria vai perecer de qualquer forma".

O jovem pegou mais uma estrela na praia, jogou de volta ao oceano e olhou para o escritor e disse: "Para essa aqui eu fiz a diferença...".

Naquela noite o escritor não conseguiu escrever, sequer dormir. Pela manhã, voltou a praia, procurou o jovem, uniu-se a ele e, juntos, começaram a jogar estrelas-do-mar de volta ao oceano. Sejamos, portanto, mais um dos que querem fazer do mundo um lugar melhor.

Bem assim é o trabalho voluntário. Muitas vezes pensamos que estamos fazendo pouco, que um dia dedicado ao social por semana ou por mês não vale a pena, que quando estivermos aposentados faremos algo... O pouco é sempre muito quando se faz de boa vontade. 5 de dezembro: Dia Internacional do Voluntário.

Segunda-feira, 5 de Fevereiro de 2007

O Século XXI chegou, finalmente: Hidrogênio como combustível de automóveis em escala comercial...

BMW vai lançar Série 7 movido a hidrogênio em 2007

A BMW também está engajada na busca de combustíveis alternativos. Além de modelos de luxo e alto desempenho, a prestigiada montadora alemã está expondo no Salão de Los Angeles o Hydrogen 7, primeiro automóvel "premium" do mundo a oferecer motores movidos a hidrogênio. A tecnologia não é das mais novas, mas o inédito motor V12, que pode funcionar com gasolina ou com hidrogênio líquido, é o resultado das mais recentes pesquisas em motores que utilizam combustíveis renováveis.

Em geral, os protótipos híbridos movidos a hidrogênio trazem pilhas de combustível, muito caras para carros de rua, mas o propulsor do Hydrogen 7, que gera 260 cavalos de potência, é abastecido por dois tanques de combustível. O de hidrogênio comporta oito quilos e permite uma autonomia de 200 quilômetros. Já o de gasolina, que é utilizado depois que seca o reservatório de hidrogênio, tem 74 litros e é suficiente para rodar mais 480 quilômetros. A tecnologia é limpa: o único resíduo emitido pelo veículo é vapor d'água.

Os result
ados dos protótipos têm sido tão bons, que a BMW já declarou publicamente que o Hydrogen 7 começará a ser produzido em linha no começo de 2007, e que planeja oferecer motores a hidrogênio como opcionais em todos os seus modelos a longo prazo. Com o lançamento do Hydrogen 7, a BMW ganha o título de primeira montadora a fabricar um veículo a hidrogênio em escala comercial.

A BMW não se arrisca a fazer projeção de preços para o novo modelo, mas adianta que será caro. Por isso, os Hydrogen 7 não serão vendidos, mas alugados pelo sistema de leasing para clientes selecionados.

O valor será semelhante ao do modelo 760Li da montadora, com todos os acessórios, que custa no Brasil cerca de R$ 714 mil. Nos Estados Unidos o preço médio de leasing será de cerca de R$ 4,4 mil mensais.


Fonte: UOL

Domingo, 4 de Fevereiro de 2007

A Lenda de Ana Jansen de São Luís do Maranhão


Olá, meus amigos.

Quem lê o meu blog sabe que andei viajando por esses dias e tal. Sabe que eu estive conhecendo parte do Ceará. Lugares maravilhosos que estou preparando um especial só sobre isso que logo, logo vai estar no ar.

Mas como não bastasse conhecer lugares lindos, beirando o indescritível, ainda fui privilegiado em conhecer também pessoas incríveis. Dos mais variados lugares do Brasil e do mundo.

Uma delas chama-se Heloísa. Uma tradutora oficial de São Paulo. Pessoa divertida e de cultura privilegiada que eu tive a oportunidade de desfrutar da sua companhia por várias vezes nos meandros dos meus roteiros no Ceará (não pensem bobagens, pois eu viajei acompanhado).

Dentre as muitas coisas que descobri com ela, fiquei sabendo da existência de uma certa "Ana Jansen". Comerciante influente em São Luís do Maranhão durante certo período da sua colonização. Contou que Ana Jansen, com sua personalidade forte era temida até pelos homens, o que não era comum para a época. Que casara-se várias vezes. Sempre com homens ricos e influentes da cidade, e que assim construiu grande fortuna, o que lhe propiciou influência nos negócios locais, nas decisões políticas e administrativas da região. Teria mantido também vários casos amorosos, que sempre lhe beneficiavam de alguma forma.

Seu poderio era tamanho, que influenciava até os militares da época. E com isso, chegou a formar um exército de 400 escravos, apenas para defender os seus interesses.

Voluntariosa, inteligente, destemida e influente eram as suas qualidades. Porém era cruel e tratava desumanamente a todos os seus escravos, ficando conhecida por maltratar, torturar e até matá-los, quando julgava interessante.

Claro que tanto a Heloísa, como eu, ficamos mais interessados nas possíveis falcatruas da "comerciante ambiciosa" do que na "lenda do castigo pela sua perversidade". E isso não é fácil de achar... Mas ainda não perdi as esperanças de encontrar, e claro, quando isso acontecer, vou postar aqui.

Mas eu encontrei um texto no interessante site "Recanto das Letras", que aborda a lenda de uma maneira bastante agradável e instrutiva. E é esse texto que eu vou reproduzir aqui, na íntegra, com os devidos créditos (é óbvio) para o nosso deleite.

Pra Heloísa, um abraço e o desejo não só do seu sucesso, mas também, quem sabe, de um "revoir" em algum lugar do Brasil ou do mundo, onde possamos compartilhar mais experiências interessantes de vida. E a vocês, caros leitores, deixo o texto, com o qual espero que se divirtam, como me diverti ao encontrá-lo, flainando pela web, e degustá-lo, como se fora uma iguaria fina.

LENDA DA CARRUAGEM DE ANA JANSEN


Em 1682 criou-se no Maranhão a Companhia do Comércio do Maranhão, cuja finalidade seria a de introduzir naquela região cerca de quinhentos escravos a cada ano, vendendo-os a cem mil reis cada um, bem como a de exercer o monopólio dos gêneros alimentícios. Mas ela não só deixou de cumprir o compromisso com relação aos escravos, como também vendia mercadorias de péssima qualidade a preços elevados, o que ocasionou um levante popular chefiado por Manuel Beckman, o Bequimão, colono influente e rico proprietário, que atraiçoado por um sobrinho acabou sendo preso, julgado sumariamente e executado. Subindo ao patíbulo, esse português de nascimento declarou apenas que morria contente pelo povo maranhense.

Tal época propiciou a formação de grandes fortunas no estado, administradas com mão de ferro pelos que as possuíam. Entre esses ricaços de São Luis encontrava-se Ana Joaquina Jânsen Pereira, mais conhecida como Donana Jânsen, uma comerciante poderosa e que por isso mesmo exercia forte influência na vida política, administrativa e social da cidade. Sobre ela dizia-se que era perversa ao extremo, que submetia seus escravos às mais bárbaras sessões de tortura, aplicando-lhes suplícios tão grandes que eles geralmente acabavam morrendo. Daí que de certa altura em diante o nome dessa senhora passou a ser pronunciado não com respeito, mas com evidentes sinais de medo ou pavor.

Isso aconteceu no século 19. Anos após a morte de Donana Jânsen, os moradores da Praia Grande, onde ficava o casarão que a temida senhora habitara, passaram a comentar que nas noites de sextas-feiras, principalmente nas mais escuras, uma carruagem puxada por parelhas de cavalos brancos sem cabeça, guiados por uma caveira de escravo também decapitado, desfilava em desabalada carreira pelas ruas de São Luis conduzindo em seu interior o fantasma da comerciante que assim pagava pelos pecados, desmandos e atrocidades que cometera em vida, e para os quais não encontrara perdão.

Revela a lenda que se algum infeliz retardatário tiver a desventura de encontrar-se com a carruagem de Ana Jânsen pelas ruas de São Luis, deverá incontinenti rezar uma oração pedindo que a alma da maligna criatura seja salva. Caso contrário, receberá, ao deitar-se, uma vela de cera entregue pelo fantasma, e quando o dia amanhecer, esta pequena peça terá se transformado em um osso humano descarnado.

No site oficial maranhense (www.turismo.ma.gov..br) a lenda de Ana Jansen e sua carruagem encantada e descrita da seguinte forma: “É talvez a lenda mais popular de São Luís. Reza que Ana Jansen, mulher rica, poderosa e, segundo alguns, muito malvada com seus escravos, teria sido condenada a pagar seus pecados vagando eternamente pelas ruas da cidade numa carruagem encantada. O coche maldito parte do cemitério do Gavião, em noites de quinta pra sexta-feira, e ai de quem encontrá-lo pelo caminho. Ao incauto, Ana Jansen oferece uma vela acesa que, na manhã seguinte, estará transformada em osso de defunto. Um escravo sem cabeça conduz a carruagem, puxada por cavalos também decapitados”.

Informações semelhantes podem ser encontradas em www.brazilonboard.com, site da BrazilOnBoard, um guia de turismo on-line com as principais informações para o turista que deseja viajar pelo País. Nele, o assunto é abordado da seguinte forma: “A lenda é a mais popular de São Luís. Conta o que aconteceu com a mulher mais influente da cidade no século XIX. Rica e bonita, Ana Jansen era proprietária de terras e dona de muitos escravos. Porém, ela tratava mal todos aqueles que a cercavam e era especialmente cruel com seus escravos. Quando morreu, foi condenada a pagar pelas maldades que cometeu vagando pelo mundo. Nas noites escuras de sexta-feira, uma carruagem sai do cemitério puxada por cavalos sem cabeça. É a carruagem de Ana Jansen, que segue pelas ruas ao som dos rangidos de parafusos e dos gritos dos escravos que sofreram por sua causa. Quem cruza seu caminho é amaldiçoado. Ana Jansen entrega uma vela para a pessoa, que vira um esqueleto no dia seguinte”.

Por sua vez, o jornal Folha de São Paulo, em 15 de março de 2004, publicou matéria intitulada “Carruagem e serpente povoam imaginação em São Luís”, que diz em certo trecho: “Outra lenda muito popular na ilha encantada é a da carruagem assombrada de Ana Jansen, puxada por cavalos com chamas no lugar das cabeças e guiada por um esqueleto. No interior do veículo, estaria o fantasma de Jansen, rica comerciante que ficou famosa pelas atrocidades que cometia contra seus escravos. Segundo a lenda, a tal carruagem assombrada ainda anda pelas ruas do centro históri-co, condenada a vagar assim pela eternidade em conseqüência das maldades de Ana Jansen”.

A serpente mencionada no título é a “serpente encantada de São Luís”, lenda maranhense relatada em outra página do nosso recanto.


FERNANDO KITZINGER DANNEMANN

Texto publicado no Recanto das Letras em 25/06/2006