Conheça também o blog de fotos dessa moça. Vai entender porque! Vou te dar uma amostra do que eu estou falando...
Do pó viestes. Ao pó retornarás.
No princípio, era o verbo: a ação, o movimento, a pulsação, a vida. Depois, ainda era o verbo: os sons, as letras, as palavras, a vida. No princípio, eram um homem e uma mulher. Depois, ainda eram um homem e uma mulher. E mais um monte de crianças. No princípio, tudo era divino. Depois, tudo era terreno. E, mais depois ainda, tudo era carnal. Perderam-se a inocência do afeto e a doçura das palavras. Então, surgiram regras, amarras, grilhões. Cada um tornou-se, para si e para os outros, um imenso e quase impenetrável labirinto. Porque, com as fôrmas, surgiu o medo. Medo de não se enquadrar, de ser deixado de lado, medo de se entregar. No princípio, eram mãos. Depois, colocaram-nas dentro de luvas, para evitar o contato, o contágio, a vida. No princípio, eram os braços. Depois, os panos para cobri-los. Assim, não é preciso, ao tocar outra pessoa, senti-la. Sim, porque a pele é detentora de todas as verdades, mesmo as que não queremos ver.
O medo trouxe consigo a confusão, a desconfiança, o desamor. Ninguém entrega a própria vida a outra pessoa, se estiver com medo. No princípio, era o calor. Depois, vieram os abraços frouxos, os apertos de mãos pesarosos, os olhares secos, as palavras vazias, o coração murcho.
E ninguém percebe que, ao abraçar um outro coração, eles batem no mesmo ritmo, dançam a mesma música, vivem a mesma vida.
No início, era a vida.
Depois, dor e morte.
Cada um, preso no próprio labirinto de si mesmo, não tem tempo nem vontade de percorrer os caminhos tortuosos dos outros. No princípio, era a união. Depois, o egoísmo, Narciso tentando matar o Minotauro – mito às avessas.
No princípio, o céu era o limite. Depois, perdeu-se essa linha divisória. Perdeu-se a entrega da ajuda. No princípio, os anjos olhavam por nós. Depois, achamos que anjos somos nós mesmos, e que não precisamos de nenhum ser divino ou mitológico para nos proteger. Mas sempre chamamos por eles, quando não vemos mais saídas. No princípio, era a fé. Depois, a desilusão.
No princípio, era o nada. Depois, repentinamente, era o tudo. Atordoante tudo. Antes era o encontro. Depois, os infinitos. E retas paralelas, seguindo a linha do horizonte, sem nunca se encontrarem.
No princípio, era a vida. Depois a negação.
No princípio, era o verbo. Depois, o silêncio mudo que nada diz.
No princípio, era amor.
Depois, apenas solidão.
(num não-abraço interminável, as pessoas perdem-se de si mesmas. Cada um é seu próprio monstro mitológico. Cada um é seu próprio início-meio-fim.)














































