Claro que escolher cinco é difícil. Como diz a Renata, toda a "Coleção Vagalume", por exemplo, deveria estar aqui... O Pequeno Príncipe, eu tinha não só o livro, mas um LP (vinil) daqueles de 78 rotações, onde quem narrava a história era o Paulo Autran. Muito legal! Herança! Mas tá bom, só cinco, vamos tentar:
Coisas de quem já era Biólogo desde criança e não sabia!
O Menino do Dedo Verde
Autor: Maurice Druon
Título original “Tistou les pouces verts”
Editora no Brasil: José Olympio
Lançado em 1957
Tistu é um menino muito feliz, que nasceu e foi criado com todo o luxo que seus belos pais - donos da maior fábrica de canhões do mundo - podiam dar e o dinheiro podia comprar. Morava numa mansão - a "Casa-que-Brilha" - e tinha criados que o adoravam. Ao completar oito anos, seus pais decidem que já é hora do filho conhecer as coisas da vida e se preparar para, no futuro, assumir e dar continuidade aos negócios da família. No entanto, logo no primeiro dia de aula o menino é expulso do colégio por dormir durante as aulas. Com isso, os pais de Tistu decidem que a educação do menino se fará dentro de casa, sem livros, através de suas próprias experiências e observações. No dia de sua primeira aula com o jardineiro Bigode, Tistu descobre um dom excepcional: ele tem o dedo verde - o que significa que basta um toque de seu polegar para que surjam plantas e flores onde quer que ele encoste. Com as aulas do Senhor Trovões, ele entra em contato com a violência urbana cotidiana e conhece a infelicidade e a tristeza. Inconformado, Tistu decide mudar o mundo apenas com o toque de seu dedo verde, começando pela cidade onde mora, Mirapólvora.
Foi o único que primeiro eu vi o filme e depois fui atrás do livro!
O Caso dos Dez Negrinhos
Autor: Agatha Christie
Título original “Ten Little Niggers”
Lançado em 1939
Este livro conta a história de dez pessoas que nada têm em comum, e sem se conhecer umas às outras, são convidadas por um misterioso U.N. Owen para passar alguns dias numa ilha perto de uma aldeia pouco movimentada. Os convidados aceitam todos o convite e embarcam num barco local para a ilha.
Na primeira noite em que todos já se conheciam razoavelmente bem e conviviam animadamente na sala, ouve-se uma voz vinda das paredes da sala, acusando cada um dos dez presentes de ter cometido um crime, crime esse que apesar de ser despropositado ou inevitável, levou à morte de outras pessoas. Os convidados começam a ser assassinados inacreditavelmente, um a um, tendo por pista uma trova infantil. O final é simplesmente surpreendente e a genialidade de Agatha Christie faz com que seja impossível deduzir o assassino. O leitor fica realmente preso até o final deste thriller policial.
O livro causou polêmicas, principalmente nos Estados Unidos, por conta dos "negrinhos" no título. Por conta disso, os títulos do livro disponíveis no mercado americano são: And Then There Were None ou Ten Little Indians. O livro chegou a ser publicado no Brasil, nos anos 1950, com o sugestivo título: O Vingador Invisível. Em Portugal, a tradução deste livro deu pelo nome de "Convite para a Morte".
O Caso dos Dez Negrinhos foi teatralizado em 1943 com o título Os Dez Indiozinhos e encontra-se na forma de texto de teatro no livro A Ratoeira e Outras Histórias (Editora Nova Fronteira - 1976).
Qualquer adolescente na década de 80 leu e ficou assustado!
Quem não fez isso, não está aqui para contar!
Eu, Christiane F., 13 anos, drogada e prostituída
Autor: Kai Hermann & Horst Rieck
Título original “Ten Little Niggers”
Lançado em 1939
Nove entre dez jovens na década de 80 leram ou pelo menos ouviram falar da chocante biografia de Christiane F., uma adolescente alemã de apenas 13 anos que, em meados dos anos 70, afundou no vício de heroína e entrou na prostituição para sustentar suas doses diárias.
Seu relato contava desde o primeiro contato com drogas leves até a rotina das picadas, a disputa pelos clientes e a perda de amigos vítimas de overdose. Para os que não tiveram a oportunidade de ler o livro e encontravam dificuldades para encontrá-lo nas livrarias, nem tudo está perdido. "Eu, Christiane F., 13 anos, drogada e prostituída" foi relançado neste ano pela editora Bertrand Brasil. Desta vez, quem ilustra a capa é o rosto dela mesma, numa foto da época.
Christiane descreveu com uma riqueza de detalhes várias situações comuns na vida de um drogado, mas muito distantes de quem nunca esteve nessa condição. Através do livro ela pode nos dar uma idéia da sensação que se tem ao injetar heroína na corrente sangüínea ou o desespero das crises de abstinência. O resultado não poderia ser outro: tornou-se um best seller mundialmente.
Em 1981, a história de Christiane F. chegou às telas do cinema. Com 124 minutos, o filme, que possui o mesmo nome do livro, tem a participação mais do que ilustre do cantor inglês David Bowie, ídolo de Christiane na época. Ele aparece em um show cantando "Station to Station", uma de suas músicas mais belas e que mais a perturbavam.
Desde o lançamento do livro, vários boatos correram o mundo acerca de que fim teria levado Christiane. Quem leu a história certamente se perguntou: será que ela realmente conseguiu abandonar as drogas? Ou será que ela sofreu uma overdose num banheiro público?
Aos que temiam um fim trágico para Christiane, ao menos uma boa notícia: ela cria sozinha uma filha de três anos. Com uma mãe dessas, esclarecimentos sobre drogas definitivamente não serão um problema.
Leia o trecho em que o livro fala da mistura de vinagre com heroína:
"Achei que desta vez era o fim. Mas não era uma overdose, era só vinagre. Perdi toda a resistência e meu corpo não me obedecia mais. Foi assim que os outros morreram. Muitas vezes, depois de uma picada eles perdiam a consciência. E um dia eles não acordavam mais. Não sei mas por que tive tanto medo de morrer. De morrer só. Os drogados morrem sós. Mais freqüentemente em banheiros fedorentos. Tive então, uma verdadeira vontade de morrer. No fundo não esperava por outra coisa. Não sabia o que estava fazendo no mundo. Antes, eu também não sabia muito bem. Mas um viciado vive para que? Para se destruir e destruir aos outros? Pensei, naquela tarde, que seria melhor que eu tivesse morrido, mesmo que fosse só pelo amor a minha mãe. De qualquer forma, não sabia mais se existia ou não."
Risadas e Diversão Garantida, ou seu dinheiro de volta!
Comédias da vida privada - 101 crônicas escolhidas
Autor: Luís Fernando Veríssimo
Editora no Brasil: L&PM
Lançado em 1994
Esta é uma antologia de contos e crônicas publicadas por Veríssimo ao longo de toda a vida, mas para muita gente foi a porta de entrada na obra do escritor. O livro continua sendo um grande sucesso, teve suas histórias adaptadas para uma série da Rede Globo e pode vir a ser transformado em filme.
Uma combinação de memória e imaginação.
Nove Noites
Autor: Bernardo Carvalho
Editora no Brasil: Companhia das Letras
«Se faço as contas, vejo que foram apenas nove noites. Mas foram como a vida toda.»
Em 2003, Bernardo Carvalho ganhou dois dos principais prémios literários atribuídos no Brasil; o prémio da Associação Paulista dos Críticos de Arte, na categoria romance, com "Mongólia" e, a meias com Dalton Trevisan ("Pico na Veia") o Prémio Portugal Telecom de Literatura Brasileira, com o romance "Nove Noites".
NOVE NOITES narra uma investigação, a 62 anos de distância, sobre a misteriosa morte de um antropólogo americano, Buell Quain, que se suicida após uma estada com os índios krahô, no Brasil, quando subitamente regressava à civilização.
Não sabemos quem investiga, até porque ninguém nunca lhe perguntou a razão da sua curiosidade. Há a desculpa de querer escrever um livro, que vai adiantando para não levantar suspeitas. Pela sua mão somos guiados por entrevistas com pessoas que privaram com Quain, arquivos públicos, e memórias deixadas em cartas, escritas pelo suicida antes de morrer, e por um seu amigo, com quem partilhou nove noites de conversas e revelações.
São vários mistérios que se interligam, e adensam a narrativa, em que o leitor partilha a claustrofobia e evasão de identidade das personagens.
Bernardo Carvalho junta habilmente a realidade e a ficção, o romance e a investigação que desenvolveu sobre os índios e sobre o antropólogo. Como nos diz o próprio autor nos agradecimentos «é uma combinação de memória e imaginação, - como todo o romance, em maior ou menor grau, de forma mais ou menos directa.».
Belém Barbosa
Pronto, missão cumprida! Ufa!Agora, passo o meme pra Berenice, a Bibliotecária, que deve ter muito a nos acrescentar, e à Renata Emy, que está mais criativa que nunca agora.Beijos à Poliane, à Berenice e à Renatinha!