flanar, verbo intransitivo: andar ociosamente, sem rumo nem sentido certo; flanear, flainar, perambular.

Etimologia: do francês flâner (1808) 'avançar lentamente e sem direção certa'. (Dicionário Houaiss de Língua Portuguesa)



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Domingo, 22 de Junho de 2008

O Origami mais complexo do mundo!!!




Satoshi Kamiya
(nascido em 1981) é um dos mais avançados mestres do origami no mundo. Fazendo origami desde os dois anos de idade, Satoshi fez centenas de modelos de origami, suas obras mais famosas são dois dragões, um é chamado de "Divino Dragão Bahamut" (Divine Dragon Bahamut) e o outro é chamado de "Dragão Antigo" (Ancient Dragon). Satoshi baseou-se muito de seus modelos, incluindo os dragões, em episódios Japoneses de Mangá.

Grande Parte dos origamis de Satoshi são extremamentes complexos; os dragões tem em torno de 275 passos cada, e nessecitam de um quadrado de 52 cm de papel fino. Ele também fez uma Baleia Azul (Blue Whale), um Mamute (Woolly Mammoth), um tigre dente-de-sabre, vários dinosauros incluindo o Tyrannosauro, um Mago (Wizard) (um raro exemplo de origami asimétrico), e mesmo um terceiro, não publicado, o Dragão Chinês, Ryu-Zin, com escamas, bigode, garras e chifres. Satoshi recentemente publicou um livro com muito desses modelos. Claramente diagramados em inglês e japonês, para os dobradores de elite e experientes.

No vídeo abaixo você pode ver três impressionantes criações do mestre do origami Satoshi Kamiya. É Difícil de acreditar, mas cada uma dessas peças exibidas começou com uma simples folha de papel.

O dragão vermelho, feito à partir de uma folha de 1,2m x 1,2m e demorou apenas 6 horas a ficar pronto. A abelha amarela foi solicitada por um vendedor de artigos de luxo, Hermes, e foi colocada em exibição na sua loja em New York. O dragão branco foi confeccionado a partir de uma folha de papel de 2m x 2m. “Até onde eu sei, é o origami mais complexo do mundo”, diz Kamiya no vídeo.




Fontes: Wikipedia e Tá Fixe

Este post é dedicado à minha amiga Carminha... Quer muito mais sobre "origami"? Và ao blog dela...


Sábado, 21 de Junho de 2008

Ainda em clima de "Centenário", conheça KITARO!

Compositor japonês de grande talento. Sua música parece ser inspirada pelos divinos seres do universo. Multi-instrumentista, faz com que sintetizadores e teclados soem a harmonia perfeita, além de misturar com maestria folclóricos instrumentos japoneses. A magia de sua música cativa todos os gostos, apesar de estar classificada e ter faturado o Grammy de 2001 de melhor música New Age. São cerca de 25 álbuns. Trabalhos de extrema beleza. Tenho 4 deles.

Tenku

"Tenku" é o que eu mais gosto...

Agora tenha uma amostra de Kitaro:



Websites para conhecer mais:




Kitaro's Poem September 1986


I send a message of sound

Towards the sky

Engulfing empty space.

Soaring far beyond grasp,

High above mountaintops,

Beyond Ocean waves,

Stretching to reach the Andes

And lightly touching Nepal,

Watching as the sounds flow;

Listen as you feel the wind blow.

Nature is colored with romance.

Unfolding a drama day by day

Plants breathe a rhythm.

Insects play their melody.

Light flies as wind cries.

Now catch the sound & feel the light!

By feeling things which are with life,

Innocents respond to the delicate sigh

Of the world, weaving their own dream.

Dreams which spread throughout the world

People begin to sing harmonies of love;

wordless.

This is a beginning.

Connecting the dream

To the color of your breathless heart.

Peace and tranquility, you need only to sing

It is for you.


Quarta-feira, 11 de Junho de 2008

Aldo Locatelli

Aldo Locatelli (Bérgamo, 18 de agosto de 1915 — Porto Alegre, 3 de setembro de 1962) foi um pintor ítalo-brasileiro. Seus mais importantes trabalhos são afrescos e painéis em igrejas e prédios públicos no Rio Grande do Sul.

Nascimento e gosto pela pintura

Aldo Locatelli nasceu em uma família humilde do norte da Itália e desde cedo interessou-se por arte. Em 1931 fez um curso de decoração e teve contato com as obras dos grandes mestres italianos da pintura. Durante a Segunda Guerra Mundial fez diversos trabalhos na Itália.

Vinda para o Brasil

Em 1948 veio para o Brasil, a convite de Dom Antônio Záttera, bispo de Pelotas, no Rio Grande do Sul, para pintar a Catedral São Francisco de Paula de Pelotas (foto). Naquela época ele estava trabalhando na Catedral de Gênova, na Itália.

Acabou sendo reconhecido como um grande artista e foi convidado para pintar em paredes e painéis, nas cidades de Porto Alegre, Santa Maria, Caxias do Sul e inclusive fora do estado do Rio Grande do Sul.

Locatelli, que tinha intenção de retornar para a Itália, acabou gostando do Brasil e fixou residência no estado do Rio Grande do Sul.

Obras

Os afrescos na Catedral de Pelotas e a via-sacra na Igreja de São Pelegrino em Caxias do Sul, que levou dez anos para ser concluída, e que são consideradas suas maiores obras. Mas também devem ser lembrados o mural no antigo Aeroporto Salgado Filho de Porto Alegre, a Catedral de Santa Maria, a Reitoria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e o Palácio Piratini, em Porto Alegre, sede do governo do estado do Rio Grande do Sul.

Sua última obra foi a pintura do quadro Sagrado Coração de Jesus, que ficou inacabado devido ao seu falecimento.


Juízo Final e cenas do Dies Irae,
teto de São Pelegrino, Caxias do Sul


Ascenção de Nossa Senhora
(Imaculada Conceição),
Catedral de Santa Maria

Fonte: Wikipedia




A Conquista do Espaço”, afresco de Aldo Locatelli no saguão do Terminal 2 do Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, em fotos de Rene Hass, do blog "Lugares Por Onde Passei".


Tudo isso estou mostrando, pra dizer que Aldo Locatelli é um dos artistas contidos no livro "História da Arte em Pelotas - a pintura de 1870 a 1980", de Ursula Rosa da Silva e Mari Lúcie da Silva Loreto, da editora EDUCAT, que a minha amiga querida, Martha Correa fez a gentileza de me enviar.

Martha é antiquarista e tem um blog recheado de arte e cultura.


Amiga querida, muitíssimo obrigado. Muita gentileza da sua parte se lembrar de mim e me enviar um presente tão bacana... Estou degustando e aprendendo muito com ele. Beijão!


Quarta-feira, 28 de Maio de 2008

Lançamento de livro!

Convido todos os meus amigos que estejam em São Paulo no dia 31 de maio:




Contato, sugestões,
encomenda de livros, etc.:
ivangrycuk@hotmail.com



Domingo, 25 de Maio de 2008

Mais um blog imperdível que eu tive o privilégio de conhecer... A grande maioria das imagens e poesias são da autora do blog. Clique no banner e visite este blog da Juliana Caribé.


Conheça também o blog de fotos dessa moça. Vai entender porque!
Vou te dar uma amostra do que eu estou falando...

Do pó viestes. Ao pó retornarás.


Foto: Juliana Caribé

No princípio, era o verbo: a ação, o movimento, a pulsação, a vida. Depois, ainda era o verbo: os sons, as letras, as palavras, a vida. No princípio, eram um homem e uma mulher. Depois, ainda eram um homem e uma mulher. E mais um monte de crianças. No princípio, tudo era divino. Depois, tudo era terreno. E, mais depois ainda, tudo era carnal. Perderam-se a inocência do afeto e a doçura das palavras. Então, surgiram regras, amarras, grilhões. Cada um tornou-se, para si e para os outros, um imenso e quase impenetrável labirinto. Porque, com as fôrmas, surgiu o medo. Medo de não se enquadrar, de ser deixado de lado, medo de se entregar. No princípio, eram mãos. Depois, colocaram-nas dentro de luvas, para evitar o contato, o contágio, a vida. No princípio, eram os braços. Depois, os panos para cobri-los. Assim, não é preciso, ao tocar outra pessoa, senti-la. Sim, porque a pele é detentora de todas as verdades, mesmo as que não queremos ver.

O medo trouxe consigo a confusão, a desconfiança, o desamor. Ninguém entrega a própria vida a outra pessoa, se estiver com medo. No princípio, era o calor. Depois, vieram os abraços frouxos, os apertos de mãos pesarosos, os olhares secos, as palavras vazias, o coração murcho.

E ninguém percebe que, ao abraçar um outro coração, eles batem no mesmo ritmo, dançam a mesma música, vivem a mesma vida.

No início, era a vida.

Depois, dor e morte.

Cada um, preso no próprio labirinto de si mesmo, não tem tempo nem vontade de percorrer os caminhos tortuosos dos outros. No princípio, era a união. Depois, o egoísmo, Narciso tentando matar o Minotauro – mito às avessas.

No princípio, o céu era o limite. Depois, perdeu-se essa linha divisória. Perdeu-se a entrega da ajuda. No princípio, os anjos olhavam por nós. Depois, achamos que anjos somos nós mesmos, e que não precisamos de nenhum ser divino ou mitológico para nos proteger. Mas sempre chamamos por eles, quando não vemos mais saídas. No princípio, era a fé. Depois, a desilusão.

No princípio, era o nada. Depois, repentinamente, era o tudo. Atordoante tudo. Antes era o encontro. Depois, os infinitos. E retas paralelas, seguindo a linha do horizonte, sem nunca se encontrarem.


No princípio, era a vida. Depois a negação.


No princípio, era o verbo. Depois, o silêncio mudo que nada diz.


No princípio, era amor.


Depois, apenas solidão.


(num não-abraço interminável, as pessoas perdem-se de si mesmas. Cada um é seu próprio monstro mitológico. Cada um é seu próprio início-meio-fim.)


Tenho ou não tenho razão no que estou dizendo?


Segunda-feira, 19 de Maio de 2008

Zélia Gattai merece toda a nossa reverência...



Trouxe lá do Hippo's, da minha amiga Lucy.



Café Teatro Zélia Gattai

Há menos de um mês atrás...

O café é parte integrante da Fundação Casa de Jorge Amado, instalada em uma das mais belas construções coloniais do Pelourinho. O forte é a programação cultural, com peças teatrais, saraus e lançamentos de livros. As paredes trazem reproduções de capas dos livros do romancista. Sua obra também é retratada em um documentário exibido no salão. O cardápio enxuto inclui pastéis de frango defumado, R$ 2,50 a unidade, e quiche de camarão com palmito, R$ 3,00. Há bebidas geladas como o ice café, servido com creme de chocolate e chantilly. A taça custa R$ 4,50.


Especialidade: CAFETERIAS

Endereço: Largo do Pelourinho ,s/nº
Bairro: Centro Histórico
CEP: 40025-280
Telefone: 3321-0122
Site: www.jorgeamado.org.br
Lugares:80
Horário:13h/19h (seg. a sáb.)

Sexta-feira, 16 de Maio de 2008

Blogagem Coletiva "Coisas do Brasil": Entenda-se com os cuiabanos...

Este post é parte integrante da blogagem coletiva "Coisas do Brasil" promovida pela Andréa Motta. Clique no banner para ver os demais participantes e seus posts.

Próxima Blogagem Coletiva!


GLOSSÁRIO DE CUIABÁ DE "A" ATÉ "Z"

PESQUISAS DE PEDRO ROCHA JUCÁ

Jornalista Profissional, 47/DRT-MT.
prjuca@terra.com.br


Na organização deste glossário contei com a colaboração de vários amigos. Entre eles cito por merecimento o desembargador António de Arruda, o desembargador José Vidal, o historiador Rubens de Mendonça, a professora Maria Benedita Deschamps Rodrigues (a professora Dunga, os médicos Ivens Cuiabano Scaff e Luiz Alves Corrêa, o advogado Gentil Bussik e a minha esposa Carminda Póvoas Jucá. Não é um texto definitivo. Reconheço que o trabalho não está completo e há muito a pesquisar.


LETRA A
PALAVRAS SIMPLES
Abancar: Apoderar-se de alguma coisa.
Abaulado: Tem a forma de baú.
Abelhudo: Intrometido, curioso.
Abichado: Animal que tem a larva da “mosca varejeira”.
Abiúda: Abelhuda, intrometida.
Aboiano: Falando, cantando, com o gado.
Abonado: Quem está rico, endinheirado, próspero.
Abufelado: Cansado.
Acampar: Ocupar algo que não lhe pertence.
Acanhado: Sem jeito, tímido.
Acentar: Anotar.
Acesa: Pessoa levada, quem não para de falar.
Achegar: Chegar, aproximar.
Acochar: Apertar.
Acoitar: Apoiar, ajudar.
Açoites: Chicotadas.
Acoloiar: Ajuntar, apoiar.
Acuar: Impedir a fuga de alguém ou de algum animal.
Adispois: Depois.
Adobe: Tijolo grande de barro prensado manualmente.
Adornar: Enfeitar, embelezar.
Adufo: Tamborete quadrado, de couro, usado no Cururu.
Advena - Gente de fora, não é cuiabano.
Aforante: Excluindo algo ou alguém.
Afortunado: Próspero, com sorte.
Afrontar: Enfrentar.
Afrissurado: Interessado.
Agardecer: Agradecer.
Agachi: Nome de lancha usada no transporte fluvial.
Agente: Pequeno comprador de diamantes.
Aguada: Onde os animais podem beber água.
Aguacero: Muita água, muita chuva.
Aguaçu: Tipo de palmeira regional.
Agregados: Criados pelas famílias.
Aguapé: Espécie de lírio aquático, roxo ou cor-de-rosa.
Aguar: Irrigar, molhar.
Aguaxado: Cansado, esgotado.
Ajantarado: Almoço servido mais tarde, geralmente no domingo.
Ajuntação: Ajuntamento, reunião, casamento não oficial.
Ajoujado: Ligado, unido, ajuntado.
Ajoujamento: Ajuntamento, casamento não formalizado.
Ajoujar: Juntar, ligar, amigar.
Ajutório: Ajuda, apoio, colaboração.
Alarido: Agitação, barulho.
Alambrado: Cerca de arame ou madeira.
Alardear: Divulgar, espalhar.
Alcova: Quarto do casal.
Alegar: Lembrar um favor, como cobrança de algo.
Alembrar: Lembrar, recordar.
Alfinim (Alfenim): Pessoa muito delicada, sensível demais.
Alforge: Bolsa de couro usada no lombo de animal.
Algodoim: Algodão.
Alhada: Confusão, distúrbio.
Alimpar: Limpar.
Aloitar: Lutar.
Aloito: Luta entre pessoas ou animais, trabalho.
Alongado: Animal domesticado que fugiu para o mato e não voltou.
Aloprado: Descuidado, alvoroçado.
Alterado: Nervoso, agitado, doente.
Altercação: Confusão, tumulto, briga.
Alumeia: Ilumina.
Alumiar: Acender, iluminar.
Amanuense: Quem manuscreve, antiga função pública.
Amarelinha: Brincadeira infantil.
Amenhã: Amanhã.
Amigado: Vive maritalmente com alguém.
Amiudar: Diminuir, apequenar, fazer algo com freqüência, amiúde.
Almocafre: Semelhante a enxada.
Amoitado: Animal escondido no mato.
Amojo: Por o bezerro para mamar antes de se tirar o leite da vaca.
Amolar: Aborrecer, importunar.
Amontoeira: sujeira, despejo.
Amornado: Pouco aquecido.
Amostrar: Apresentar, mostrar.
Amuado: Animal embravecido que se deita no chão.
Anágua: Roupa usada embaixo da saia.
Anarquista: Bagunceiro, desordeiro.
Anca: Quadris femininos.
Andaço: Diarréia.
Andejo: Viajante de longas distâncias.
Aniquilado: Fraco, definhado, acabado.
Anseado: Está aguardando alguma coisa, com pressa.
Antagônico: Contrário, contraditório.
Antepunho: Entre o pano da rede e o punho.
Apagador: Limpador de quadro-negro escolar.
Aparecer: Destacar-se sobre os demais, sem méritos.
Apatacado: Endinheirado, rico.
Apear: Desmontar da montaria, descer de um carro, perder regalia.
Apeia: Desce.
Apertar: Travar, com sabor mais amargo.
Apreçar: Saber o preço.
Apurado: Apressado, agoniado.
Apurar: Para o doce ficar no ponto.
Aranzé: Aranzel, confusão, tumulto, agitação, bagunça.
Araputanga: Árvore com madeira de qualidade; mogno.
Ardume: Ardido.
Arear: Limpar, lavar, polir.
Arfante: Respirando forte.
Arga: Corruptela de ilharga (sair de arga, de lado).
Arigó: Matuto, caipira, da zona rural.
Arqueado: Curvado pelo peso ou pela idade, cansado.
Arrebalde: Arrabalde, periferia urbana, subúrbio.
Arremedar: Repetir, fazer o mesmo.
Arraial: Antiga povoação do período colonial.
Arranchar: Ficar muito tempo na casa dos outros.
Arregaçar: Destruir, acabar.
Arrear: Ato de colocar o arreio no animal.
Arreio: Conjunto de peças para se montar em um animal.
Arremediado: Quem possui alguma propriedade.
Arrepiar: Reagir.
Arriado: Apaixonado, cansado.
Arribar: Fugir, ir embora, fugir.
Arrieiro: Chefe dos tropeiros no transporte de mercadorias.
Arrocho: Aperto.
Arruaça: Briga, agitação.
Arruinado: Está falido, está acabado.
Arruinar: Estragar, apodrecer, piorar.
Arruinou: Alguém estava doente e piorou.
Arrumado: Postiço.
Artífice: Profissional.
Ascança: Alcança.
Ascendorada: Mulher assanhada.
Asneira: Palavra obscena, tolice, besteira.
Asneirento: Quem só diz besteira ou usa palavra obscena.
Aspato: Quem ambiciona ou aspira alguma coisa.
Asprito: Apressado, aflito.
Assanhamento: Para chamar atenção, atitude de moça enamorada.
Assento: Traseiro, bunda.
Assoberbado: Com muitas tarefas a realizar.
Assuntando: Ouvindo, prestando atenção a alguém.
Assuntar: Escutar, observar, ouvir, verificar.
Assistir: Ficar hospedado por um determinado tempo.
Astrever: Atrever.
Ata: Pinha, fruta-de-conde.
Atachar: Apertar, unir, anexar.
Atamancar: Agir com cuidado, sem pressa.
Atapetado: Cheio de gente.
Atarantado: Aturdido, sem rumo.
Atarracado: Abraçado, agarrado, junto demais, apertado.
Atibado: Cheio demais, no limite.
Atiçar: Insuflar, provocar alguma reação.
Atirado: Confiante, corajoso.
Atochado: Apertado.
Atolado: Quem demora a fazer algo, quem é preguiçoso.
Atraquei: Segurei, agarrei, amarrei.
Atravessado: Engasgado, não é aceito.
Atropelado: Atrapalhado.
Atropelar: Atrapalhar.
Audácia: Abuso.
Audacioso: Quem passa dos limites, intrometido.
Auto: Automóvel.
Avoado: Desorganizado, descontrolado.
Azular: Sumir.

PALAVRAS COMPOSTAS
Abanar a mão: Cumprimentar, saudar.
Acha de lenha: lenha apropriada para usar no fogão.
Adro da igreja: Pátio da igreja.
A dona: Pessoa do sexo feminino.
Água esperta: Água morna, quase quente.
Água turva: Água suja.
Alimento sentido: Alimento estragado, deteriorado.
Almoço-ajantarado: Almoço servido mais tarde, substituindo o jantar.
Alisar a roupa: Passar ferro na roupa.
Alugar alguém: Ocupar alguém.
Andar de a pé: Andar a pé.
Animal arisco: Animal que se assusta facilmente.
Animal arreganhado: Animal cansado.
Animal sentido: Animal que perdeu peso por algum motivo.
Ano Bom: Entrada de Ano Novo.
Anunciando chuva: O sabiá cantando na época das chuvas.
Anzol enroscado: Está preso em alguma coisa dentro do rio.
Apertar o passo: Andar mais depressa.
A reio: Sem descanso, a fio.
Ar de vento: Dor nas costas.
Araticum-do-campo: Planta típica do Cerrado, de agradável perfume.
Arca caída: Dor na boca do estômago ou nas costelas.
Arcar com...: Assumir com determinada responsabilidade.
Armar laço: Defecar, obrar.
Arrastar asa: Demonstrar interesse por alguém, querer namorar.
Arroz carreteiro: Arroz com carne seca, alho e cebola.
Arroz doce: De arroz cozido, com água e leite, açúcar, sal e cravo.
Arroz-de-festa: Quem não perde uma festa.
Arrumando chuva: Quando as nuvens ficam escuras.
Atarracar com...: Agarrar-se com...
Atracar-se com...: Brigar com....
Azular: Fugir, sumir.
Azulou: Desapareceu, foi embora.

EXPRESSÕES REGIONAIS
A banana está apertando: não está madura e trava no sabor.
A casa caiu: O imprevisto aconteceu.
A chuva apertou: A chuva aumentou, está mais forte.
A como está a penca de banana?: Quanto custa a penca de bananas?
Acoloiado com...: Ajuntado com...
Agora como...: Não acredito.
Agora de quê?...: Ora, o que é isto?
Agora de quê será? : Não pode ser.
Agora quando! - Interjeição de espanto, desmentindo ou desacreditando.
Ah! Hum!..: Indignação, concordando ou não.
Ah! Sim!...: Concordo, compreendi.
Ajustar contas: Prestar contas.
A jogo do rio: Movimento das águas nas margens dos rios.
Alimento sentido: Alimento estragado.
Alvo de branco: Bem branco.
Amanhão de manhã: Amanhã de manhã.
Andar depressa: Andar rápido.
Animal apadrinhado: Animal amansado, no Pantanal Mato-grossense.
Apanhou até fofar: Apanhou demais.
Apanhou prá bestera: Apanhou demais.
Apanhou que nem cachorro de bugre: Apanhou demais.
Aparar criança: Fazer o parto.
Aguerma: Acalma.
Ar-de-vento: Dor nas costas.
Armar laço: Evacuar, obrar, na zona rural.
Arrodear o toco: Ter dificuldade de chegar ao final do que está falando.
Às gatas: Estar cansado demais.
Assistir na casa de...: Hospedar-se na casa de...
A torto e a direito: Para todos os lados.
Até Chico chegar da lenha: Vai demorar.
Até na Oreia: Repleto, cheio, demais.
Até na pituca: No máximo.
Até parece...: Quando não acredita...
A trouxe-mouxe: Fazer as coisas de qualquer jeito.
À unha seca: Encontrar diamante em cascalho ainda não lavado.
A úfa de...: Abundância de algo ou alguém.
A vaca foi “pro” brejo: Já aconteceu, agora é tarde.

LETRA B
PALAVRAS SIMPLES
Babuja: Doces, balas, guloseimas.
Babujar: Comer doces, ou alguma coisa, antes das refeições.
Bacia: Parte da jazida de diamante, em aluvião.
Baco: Caixão usado para peneirar o cascalho de ouro ou diamante.
Bacurau: Caipira.
Badero: Hostil.
Badulaque: Objetos de menor valor, amontoados.
Bafo: Jogo com figurinhas, usando a mão em concha.
Bagageiro: Serviçal, bajulador.
Bagaço: O que ficou na bateia depois da lavagem do cascalho.
Bagarete: Ponta de cigarro, dinheiro pouco, o que é pouco.
Bagerê: Camada acima do cascalho onde fica o diamante.
Baguá: Pessoa valente.
Baqueiado: Está fraco, frágil.
Bagueiar: Fracassar.
Bagueio: Fracasso.
Bagueragem: Pessoa de baixo nível social, grosseira.
Bagueragem: Gesto grosseiro, sem educação.
Baía: Semelhante a lago, lagoa, no Pantanal.
Bainha: Estojo de couro para guardar faca, facão.
Baita: Grande, enorme, extenso.
Baitarra: Grande demais, mais do que o comum.
Baiúca: Casa modesta.
Baixeiro, bachero: manta, ou conjunto de sacos, que se põe no lombo do cavalo, seguindo-se a carona e a sela.
Baixio: Parte rasa do rio.
Balaio: Cabelo em grande quantidade, despenteado.
Baleia: Empresa regional que popularizou o nome como ônibus.
Balda: Defeito habitual, tipo mania.
Baldear: Carregar, levar.
Baldio: Terreno abandonado, não cuidado.
Baliza: Para marcar limites.
Bambolê: Chinela de borracha.
Bamburral: Lugar cheio de cipós.
Bamburrar: Achar pedra preciosa de grande valor.
Bamburro: Local sujo, com muito mato.
Bamburrou: Ganhou, venceu.
Banana: Pessoa fraca de vontade, manipulada por alguém.
Bandalheira: Roubo, corrupção, malversação do dinheiro público.
Bandoleiro: Não demora no mesmo lugar, vai com qualquer um.
Bandos: Textos oficiais, desfiles tradicionais.
Bandulho: Barriga.
Banguê: Grande quantidade.
Banguela: Desdentado.
Banzando: Pensando.
Banzé: Bagunça, confusão.
Baqueiar: Balançar, quase cair.
Baquité: Cesta indígena de palha de buriti.
Barrotear: Colocar barro nas paredes de casa de pau-a-pique.
Bartelão: Embarcação típica do Pantanal, canoa grande.
Barrigada: Faixas de couro curtido ou pano, para firmar o arreio na cela.
Batalhar: Trabalhar.
Batê: Uma gaiola, armadilha, para capturar pássaros.
Bateia: Tipo de gamela de madeira para lavar ouro e diamante.
Batedeira: Local onde se bate a peneira para lavar cascalho.
Batelão: Canoa larga usada nos rios Cuiabá e Paraguai.
Batente: Degrau de casa, de prédio, serviço.
Batido: Conhecido, velho demais.
Batido de água: Pequeno rego de água para uso na garimpagem.
Batistério: Certidão de Batismo, na Igreja Católica.
Batuta: Ótimo, de boas qualidades.
Barroso: Cavalo que tem cor entre castanho, preto e amarelo escuro.
Bebericar: Beber apenas para tomar gosto.
Beiju ou biju: Bolo assado feito da raspa da mandioca.
Beiradear: Margear.
Beirando: Aproximando, chegando perto.
Belisqueira: Sem valor, pouco.
Benze: Cachaça tomada como aperitivo.
Bereré: Dinheiro por fora, dinheiro suspeito.
Berrano: Gritando.
Besteira: Palavrão.
Bexiga: Varíola.
Bexiga: Bola velha.
Bibico: Casquete (boné militar ou colegial) de dois bicos.
Biboca: Casa modesta, em local distante.
Biju (Beiju): Bolo de massa de farinha de milho ou mandioca.
Biju ou bijuzinho: Pessoa querida.
Biboquê: Bilboquê, bola de madeira, amarrada a um bastão, onde se encaixa.
Bingo: Órgão genital masculino, pênis.
Biguá (mulher): Prostituta, biscate.
Biguá: Exímio e imponente pássaro do Pantanal.
Biri: Semente esférica e preta.
Birrento: Teimoso, criador de caso, mal humorado.
Biruá: Grão de milho que não virou pipoca.
Bisbilhotar: Ter curiosidade sobre a vida alheia.
Bisbilhoteira: Pessoa que presta atenção na vida alheia.
Bisca: Mulher de moral duvidosa.
Bisca: Jogo doméstico.
Biscoito: Produto caseiro.
Bispar: Olhar algo ou alguém.
Bispando: Olhando com muito interesse.
Bixiguinha: Catapora.
Bobó: Bobo, tolo.
Bocaiúva: Saborosa fruta com coco.
Bocaiuvais: Onde existem muitos bocaiuveiros.
Bocaiuveiro: Tipo de coqueiro que dá bocaiúva.
Bocó: Órgão genital feminino, vagina.
Bocudo: Falador, boca grande.
Bodoque: Arco rústico, com vários fios, para lançar pelotes de barro.
Bodoque: Nos garimpos, mistura de álcool puro, com água e açúcar.
Bofera: Porcaria, não presta, mau feito.
Boiadeiro: Comprador de gado, para criadores e açougueiros.
Boiota: Pessoa abobalhada.
Boipá: Doce de abobara com casca, feito com rapadura.
Boitatá: Assombração, fenômenos naturais que causam temor.
Bolacha, bolachinha: Biscoito industrializado.
Bolapé: Modo de nadar do cavalo pantaneiro, em água de pouca profundidade.
Boleando: Lançando alguma coisa.
Bolear: Rodear o objeto que vai ser lançado.
Bolicheiro: Proprietário de um bolicho.
Bolicho: Pequeno comércio, geralmente nos bairros.
Bolita: Bola de gude, de vidro, bila.
Boqueira: Ferida Localizada no canto da boca.
Boquejar: Discutir à toa, falar irritando.
Bordoada: Paulada.
Borel: Palavra pantaneira relativa a índio.
Borocochô: Tristonho.
Bororo: Nome dado pelos portugueses aos índios Bóes.
Bosque: Bairro ao redor da Praça Santos Dumont (Cuiabá).
Boteco: Pequeno comércio, geralmente na beira de estrada.
Botica: Farmácia, drogaria.
Boticário: Farmacêutico.
Brabo: Feroz, zangado.
Brazino: Boi rajado de cor preto-amarelo escuro.
Brechó: Tipo de botina grande, sapato grande.
Brefado: Sem dinheiro.
Brete: Corredor estreito nos currais, para vacinar, marcar e capar.
Breve: Privada, sanitário, banheiro com vaso.
Brichichila: Pinga, caninha.
Broca: Frieira que atinge o casco do cavalo e o deixa manco.
Brocha: Cordinha usada para prender a canga no pescoço do animal.
Brocoió: Pessoa sem graça, retraída.
Brocotó: Terreno esburacado, bem distante.
Bródio: Banquete, jantar.
Bronco (Brôco): Envelhecido.
Broto: Moça ou rapaz, quando bem jovens.
Bruaca: Bolsa de couro não curtido. Mulher feia, bruxa, intrigante.
Bruaqueiro: Burro ou cavalo manso usado no transporte de bruacas.
Bruburu: Pessoa que faz tudo errado.
Brutelo: Grande.
Bruto: Estúpido, sem trato.
Buçá: Sacola de milho que se coloca na boca de um animal.
Bufo: Urro do animal quando está acuado.
Bugiar: Andar sem rumo.
Bugre: Palavra antiga referente a índio.
Buque: Buraco feito no chão para jogar bolita.
Budum (Bodum): Odor fedorento, catinga, de uma pessoa.
Bulir: Mexer, tocar.
Bundeta: Quem manca por ter uma perna curta.
Buré: Mingau de milho verde em grãos.
Burra: Antigo cofre usado em Cuiabá.
Burrica: Nas lendas, onde se guardava riqueza.
Busilis: O nó do problema, a dificuldade.
Buzo: Diamante sem qualidade, mas vistoso e bom para inexperientes.

PALAVRAS COMPOSTAS
Bamboleiar as cadeiras: Balançar as cadeiras, balançar os quadris.
Bandeira do Senhor Divino: Grupo que pede esmola durante a festa.
Bandeira de São Benedito: Grupo que pede esmola durante a festa.
Bater atrás: Ir atrás, ir buscar.
Bate-pau: Capanga.
Batedor de alho: Socador de alho.
Batendo a cabeça: Procurando acertar, buscando algo.
Bater bruacas: Andar à toa.
Bater chapa: Tirar fotografia, tirar radiografia.
Bater duro: Bater forte.
Bater invernada: Limpar a invernada.
Batida de carro: Acidente de carro.
Beco do Candieiro: Atual Rua 27 de Dezembro.
Beco do Pito Aceso: Atual Rua Barão de Casalvasco, no Araés.
Beco Torto: Atual Travessa 21 de Abril.
Bica das Moças: Antigo nome da Bica da Prainha.
Boca de caçapa: Boca grande.
Boca de lobo: Nó que encurta o punho da rede.
Bocado de Tempo: Muito tempo.
Boi baguá (ou bagual): Boi selvagem.
Boi banana: Quando tem um ou os dois chifres tortos ou moles.
Boi-de-carro: Boi de carroça.
Boi-de-piranha: No Pantanal Mato-grossense, é o boi entregue às piranhas, para que a o resto da boiada atravesse o rio, à montante, sem ser molestado. Também é usado, no sentido figurado, quando algo ou alguém é prejudicada para salvar outro negócio ou situação.
Boi mocho: Boi sem chifres.
Boi sinuelo: Boi grande e manso.
Bolo-de-arroz: Fubá de arroz, mandioca, açúcar, queijo, coco, ovos e gordura.
Bolo-de-queijo: Queijo ralado, polvilho de mandioca, ovos, nata de leite e sal.
Bolo de vela: Torta de aniversário que tem vela.
Bolo embatumado: Bolo duro, achatado.
Bola de bexiga: Feita com bexiga de boi, no Pantanal.
Bom Barqueiro: Antiga brincadeira infantil.
Bosque Municipal: Antigo nome da Praça Santos Dumont.
Bota fora: Despedida de alguém.
Braço de rio: Pequeno curso de água ligado a um rio.
Braço esquecido: Braço insensível.
Busca-pé: Rojão, foguete de festa.

EXPRESSÕES REGIONAIS
Bacalhau de porta de venda: Pessoa magra, de físico frágil.
Baixar a crista: Perder a arrogância.
Balaio de gato: Onde ninguém se entende.
Banda de lá: Local sem definição exata.
Banho de assento: Quando se lava apenas as partes íntimas.
Bater atrás de...: Procurar, tentar pegar, alguma coisa.
Bate na boca três vezes: Atitude de penitência.
Bate num quara: Como lava, veste. Bateu, levou.
Bater na boca três vezes: Como se penitenciar por falar demais.
Bater na bruaca p'ra cangalha entender: Dar uma indireta.
Bater as pacoéras: Morrer.
Bater até fofar: Bater muito, até dizer chega.
Bem cedo: De manhã.
Bezerro tambeiro: Bezerro de vaca leiteada.
Bobó cheira-cheira: Pessoa boba.
Bobó-lelé: Bobo demais.
Bocó de fivela: Quem é bobo, tolo.
Boi erado: Boi com mais de seis anos.
Boi de piranha: Sacrificado para salvar os demais.
Bola de bexiga: Bola usada antigamente nas fazendas.
Bom demás: Muito bom.
Bonito prô-cê...: Repreendendo quem fez algo errado.
Bonito para s'a cara...: Repreendendo alguém.
Bons Anos: Próspero Ano Novo.

LETRA C
PALAVRAS SIMPLES
Caapiá: Vegetal rasteiro. O pó da raiz dá um sabor especial ao guaraná.
Cabeça: Uma pessoa muito inteligente.
Cabreiro: Desconfiado.
Cabuloso: Chato, inconveniente.
Cacau: Antigo bolo cuiabano, feito com trigo, bicarbonato, fermento, gordura e rapadura, que lhe dá a cor achocolatada .
Caçamba: Pedaço de sola, usado no estribo, para proteger o pé.
Cachaço: Suíno adulto, não castrado, reprodutor.
Cachara: Peixe semelhante ao pintado, com listas horizontais.
Cachi: Faca que ficou menor depois de muitas vezes amolada.
Cachimônia: Cabeça, inteligência.
Cachola: Cabeça.
Cachorrada: Doce feito com leite coalhado.
Cachorro: Beiral de telhado de casa antiga.
Caçoar: Rir de algo ou de alguém.
Cacunda: Costas, lombo.
Cadeira: Quadril, anca.
Caducar: Dedicar muito afeto a alguém.
Cafézinho: Pequena ave, de cor preta-avermelhada e bico amarelo.
Cafifa: Pessoa chata.
Cafitear: Importunar, encher o saco.
Cafu: Touro grande e forte.
Cafuçu: Alguém feio.
Caínha: Quem é avarento.
Cainhar: Negar algo.
Cajázinho: Doce de queijo, em calda de açúcar, com gemas de ovos.
Cajuada: Refresco com suco de caju.
Cajuzinho: O preferido.
Camalote: Planta aquática do Pantanal.
Camarada: Empregado de fazenda no Pantanal Mato-grossense.
Cambambá: Bando, cambada, grupo.
Cambada: corja, bando, quadrilha.
Cambaio: Quem tem pernas tortas, quem é torto.
Cambalear: Andar sem firmeza.
Cambeta: Tem pernas tortas.
Cambetear: Cambalear, andar sem firmeza.
Cambito: Perna fina e torta.
Cambito: Antigo pão feito em Cuiabá, longo e fino.
Cambucu: Peixe pintado grande.
Cambuquira: Cozido de broto de aboboreira, servido como acompanhamento de assados.
Campear: Cuidar dos animais no campo, procurar.
Cancela: Portão pequeno, para cercas e muros.
Candieiro: Candeeiro, lampião.
Candimba: Do lendário cuiabano. Sempre doente, e acamado, tinha um rabo.
Candimba: Pequeno coelho, tipo lebre.
Canga: Usada pelos bois carreiros. É de madeira, com quase dois metros.
Cangalha: Sela de madeira, com acolchoados internos, para cargas em animais.
Cangote: Nuca.
Canhambora: Quem usa cabelos grandes e descuidados.
Canhar: Negar alguma coisa a alguém.
Canivete: Alguém jovem demais.
Canjica: Tradicional caldo de milho branco, com leite e açúcar.
Canoada: A quantidade transportada numa canoa.
Cansanção: Urticária que coça e arde, mas ótimo para expulsar morcegos.
Canzil: Petrecho de carro de boi.
Caó: Comida que não é das melhores.
Caolho: Quem é estrábico, zarolho.
Capação: Castração de boi, cachorro e outros animais.
Capacho: Quem é subalterno, aceita tudo.
Capão: Animal castrado.
Capanga: Bolsa de couro para carregar diamantes.
Capangueiro: Comprador e vendedor de diamantes.
Capear: Proteger ou adular alguém.
Capenga: Quem anda mancando.
Capinha: Ajudante dos “toureadores”, que enfrentava o touro a pé.
Caracachá: O mesmo que ganzá, instrumento musical usado no Cururu.
Carpir: Limpar o mato, o jardim, capinar.
Capitão: Comida amassada com a mão.
Capivara, ou capincha: Roedor, comum na beira dos rios.
Capivariar: Mergulhar.
Capoeira: Área fértil de mata onde já houve roça.
Caramba!: Interjeição de espanto ou admiração.
Carapinha: Cabelo duro, enrolado, pichaim.
Carnear: Comer churrasco na tradição pantaneira.
Carnegão: O centro do pus endurecido de tumores e furúnculos.
Carona: Manta de couro em cima do baixeiro, protegendo o lombo do animal.
Carpir: Limpar algum terreno com enxada.
Carrada: Refere-se a grande quantidade.
Carrear: Carregar.
Carreta: Carro puxado a boi, hoje quase em desuso.
Carrerear: Sentado na popa, remando com uma mão e pescando com a outra.
Carrinheiro: Vendedor que usa carrinho de mão.
Carteado: Jogo de baralho, jogo de cartas.
Cartela: Semelhante a cartão.
Carumbé: Vasilha usada para lavar ouro e diamante. Tartaruga, em tupi-guarani.
Casabeque: Agasalho curto, antigamente usado no frio.
Cascar (descascar): Agir com o maior rigor, ser rigoroso.
Cascudo: Tipo de peixe, bater na cabeça com a mão fechada.
Casório: Casamento, núpcias, no sentido popular.
Casqueiro: Exigente demais.
Casquete: Com dois bicos, usado por militares e estudantes.
Cata, catra: Mina de diamante, medida bruta de tempo na garimpagem.
Cataplasma: Curativo com uso de remédios caseiros.
Catear, catrear: Garimpar.
Catinga: Odor desagradável.
Catingueiro: Veado pantaneiro, avermelhado.
Catinguento: Fedorento.
Catita: Bonita, elegante.
Cativo: Prisioneiro.
Catre: Cama de madeira rústica, dobrável, com os pés em forma de “x” e lona.
Catreado: Retângulos nos garimpos para tirar cascalho.
Catrevage: O que não presta, mulher de programa.
Caturra: Pessoa obstinada.
Caturrita: Espécie de periquito, papagaio pequeno.
Cavernoso: Cadavérico.
Cavoteiro: Enjoado, sem graça.
Caxambu: Denominação dada ao monte de cascalho para ser lavado.
Caxiri: Faca desgastada pelo uso, faca pequena.
Cecê: catinga, fedor.
Cerqueiro: Fazedor de cercas.
Cerrar: Fechar, encostar.
Ceva: Amansar, acostumar, peixe com comida.
Cevar: Engordar, alimentar.
Ceveiro: Local onde os peixes ficam acostumados com comida.
Chá: Café matinal típico e variado.
Chácra: Chácara, pequena propriedade de terra.
Chacreiro: Alguém ligado a chácara (chácra).
Chacota: Gozação, crítica em tom de brincadeira.
Chalana: Barco de madeira, largo, fundo chato.
Chambalé: Antiga camisola para criança dormir, comprida e folgada.
Chambão: Alguém mau vestido.
Chanca: Pé grande.
Changador: Carregador de mercadorias no antigo Porto de Cuiabá.
Chaguaiano: Sacodindo, balançando.
Chaento: Chato.
Chanha: Chatice.
Chapa: Dentadura.
Chapa: Foto, radiografia.
Chapa: Parte superior do fogão à lenha.
Charqueada: Onde se faz carne de charque, carne seca.
Chata: Embarcação de pequeno calado, puxada por outra com motor.
Chaté: Quem é baixo.
Chaveta: Amarra a canga na ponta do cabeçalho do carro de boi.
Chelba: Inconveniente, chato.
Chelpa: Dinheiro, na gíria dos garimpeiros.
Chibiu: Pedra preciosa com menos de 20 pontos e de pouco valor.
Chilado: Bêbado, embriagado, tonto.
Chilique: Desmaio ou escândalo, no sentido pejorativo.
Chincha: Parte da barrigada da sela usada pelo vaqueiro.
Chichano: Segurando na chincha o laço que está na rês.
Chimi: Tamanduá-mirim.
Chinchão: Beliscão.
Chinchar: Puxar, beliscar, cutucar.
Chinchar: Apertar a chincha, barrigueira de animal, no Pantanal.
Chinchim: De qualidade inferior, não é bom.
Chinfrim: De péssima qualidade, baile de ponta de rua.
Chiriri: Pouco, mínimo.
Chispar: Sair correndo, sair rápido, sem avisar.
Chispou: Foi embora de repente.
Chita: Tecido estampado, barato.
Choça: Moradia modesta, de palha.
Choça: Armadilha de pássaro.
Chocho: Algo murcho, seco e sem suco, retraído, tímido, sem graça.
Chuçar: Ferir, furar, espetar.
Chuço: Arma semelhante à faca.
Chucro: Animal ainda não amansado, peão tímido.
Chupa: Ingênuo, tolo.
Chuvarada: Muita chuva.
Cimbre ou jimbre: Dinheiro, moeda.
Cinteiro: Cinturão que era usado para segurar as calças e punir alguém.
Cipoal: Moita de cipós.
Ciscaiar: É o mesmo ciscar usado para as galinhas.
Ciscar: Desafiar alguém para uma disputa.
Cisma: Temor sem justificativa, mania, balda.
Clarear: Iluminar.
Coadjuvante: Ajuda nas despesas da casa.
Cobre: Dinheiro, moeda de cobre.
Cocho: Feito de madeira, onde se põe sal para o gado.
Cochichar: Falar baixo, no ouvido.
Cochicholo: Bem pequeno.
Cocorocar: Mimar demais.
Cocorocando: Mimando demais.
Coió: Assobio fino para chamar a atenção das moças, bobo, trouxa.
Cognome: Apelido depreciativo.
Coloiado: Amontoado, agrupado, ao lado.
Coloiar: Agrupar com outros, pejorativamente.
Coloio: Acordo no sentido pejorativo.
Combinação: Roupa feminina, embaixo do vestido.
Comedoria: Mesa farta, muita comida.
Companheiro: Placenta.
Compoteira: Vasilha destinada a conservar doces.
Condutor: Responsável pela viagem da boiada, em comitiva.
Cônscio: Ciente da responsabilidade, compenetrado.
Constipação: Resfriado.
Constipado: Gripado.
Consumir: Gastar, usar em excesso.
Contrário: Oposicionista, adversário.
Corcovear: Quando não aceita laço e mexe com o pescoço.
Cordero: Quem gosta de contar vantagem.
Córgo: Córrego.
Córnice: Tiro de canto no futebol, variação do “corner” inglês.
Corisco: Descarga de raio.
Corixo: Canais naturais para escoar água das lagoas, baías e brejos para os rios.
Corja: Designação pejorativa de grupo de pessoas.
Coró: Pequena lagarta que aparece nas frutas.
Correição: Fileira grande de formigas.
Corrução: Forte diarréia que existiu em Vila Bela, no período colonial.
Cortado: Espaço entre dois "capões de mato", campina.
Cortar: Coalhar.
Coscorão: Massa frita de pastel, sem recheio.
Costado: Lateral.
Cotó: Pessoa mutilada, animal sem a cauda.
Coxé: Quem é coxo, quem tem uma perna mais curta.
Cozidão: Carne cozida, com várias verduras.
Crequento: Torrado, áspero, cascudo.
Cria: Agregado, adotado.
Cria: Filhote de gado, de cavalo.
Criquiri: Quiriquiri, ave pantaneira que se alimenta de carrapatos.
Crítico: Alguém irreverente, que sabe apenas caçoar.
Crucuçar: Esmiuçar alguma coisa.
Cubado: Quando o carumbé está cheio de cascalho.
Cubando ou Cubano: Olhando, observando, mas discretamente.
Cubar: Observar, medir algo.
Cuia: Vasilha feita com a casca de cabaça.
Cuiada: Ironia, grosseria, sarcasmo, para constranger alguém.
Cuiada: Batida com cuia.
Cumbu, cubu: Azar.
Cumbuca: Vasilha redonda.
Cueiro: Fralda feita com flanela.
Cural: Garimpeiro novo.
Curau: Creme de milho verde, doce. Canjica no Nordeste.
Curro: Para manejo de gado nas fazendas.
Curro: Onde os touros ficavam antes das Touradas Cuiabanas.
Curso: Desinteria, desarranjo intestinal, diarréia.
Curtido: Sem vergonha, esperto, cínico.
Cururu: Dança típica regional, só para homens.
Cururueiro: Tocador de viola-de-cocho.
Currutela: Pequena localidade.
Cuscuz: Bolo de milho, cuzido no vapor de água fervente.
Cutilada: Golpe de faca ou de qualquer arma branca.
Cutela: Faca larga.
Cutelo: Faca com forma semicircular.
Cutuba: Ótimo.
Cutucar: Criticar alguém para provocar.

PALAVRAS COMPOSTAS
Cabeça de canoa: Cabeça semelhante à canoa.
Cabeça-seca: Parece com o Tuiuiú, preto na cabeça, bico e ponta das asas.
Cáis do Porto: Ladeira de pedra, na Avenida 15 de Novembro.
Cambada de peixe: Amarrilho, com três ou mais peixes, dependendo do tamanho, para comercialização.
Cangar grilo: Ficar à-toa, sem fazer nada, descanso.
Campo da Mandioca: Antigo campo de futebol na atual Avenida Mato Grosso.
Campo de Aviação: Aeroporto.
Campo Limpo: Onde existe pastagem natural.
Cantador de Cururu: Homem que canta Cururu.
Capão de mato: Ilha de mato mais denso no meio do campo.
Capim-carona: Capim que o gado não gosta.
Capim-navalha: Típico de brejo, prejudicial aos touros, principalmente.
Cara azeda: Cara fechada, com raiva.
Cara de caju: rosto pequeno.
Cara-de-canga: Rosto de pele áspera e bastante furada.
Cara-de-cavalo: Ao xingar alguém.
Cara-de-queijo: Rosto de pela semelhante ao de queijo.
Cara de tacho: Sem graça.
Cara lambida: Cara de sem-vergonha.
Carne-com-arroz: Mistura de carne seca ou fresca com arroz.
Carne de bocaiúva: Camada amarela da bocaiúva.
Carne frescal: Carne salgada, ainda crua, em início de processo de secagem.
Carne de panela: Carne cosida em panela.
Carne-de-pescoço: Pessoa de difícil trato.
Carne sentida: Carne quase podre.
Carro de praça: Táxi.
Caruru com angu: Carne com quiabo e angu de fubá de milho.
Casa de adobe: Casa feita de adobes.
Casa de taipa: Casa de parede de taipas (terra umedecida e socada) entre tábuas que fazem uma forma.
Casa de pau-a-pique: Casa em que as paredes têm um gradeado de madeira, no qual é jogado ou aplicado o barro.
Casa de material: Casa construída com tijolo e telha.
Catar alguém ou algo: Pegar, recolher.
Cavalo afrontado: Cavalo cansado ao máximo, quase sem respiração.
Cavalo chucro: Cavalo que não foi amansado.
Cavalo pantaneiro: Típico do Pantanal, é um cavalo de grandes qualidades.
Cepo de...: Para dizer: grande, bom.
Chácaras do Bufante: Atual Bairro Araés.
Chacrinha de estudantes: Grupos de estudantes.
Chá-com-bolo: Café tradicional cuiabano, bem variado.
Chá-de-fedegoso: Para combater verme.
Chá-de-erva Santa Maria: Para acabar com verme.
Chá-de-picão: Para curar qualquer tipo de hepatite.
Chão mole: Atoleiro, depois da chuva.
Chapa-de-dente: dentadura.
Chapa-de-fogão: Parte superior do fogão.
Chapa-do-pulmão: Abreugrafia.
Cheio da gaita: Com muito dinheiro.
Chico Magro: Planta do Cerrado, com frutas adocicadas.
Chofer de praça: Motorista de táxi.
Chum-chum: Bagre pequeno.
Chuva-de-caju: As chuvas de julho e agosto, quando florescem os cajueiros.
Coisa ruim: O que não presta, o diabo.
Comida requentada: Comida esquentada depois de feita.
Comitiva de gado: Grupo que conduz boiada.
Com rompância: Com arrogância.
Com rudeza: Com grosseria.
Correndo solto: Correndo muito, com facilidade.
Correr duro: Correr ou fugir depressa, muito rápido.
Corre disparado: Corre rápido, em disparada.
Correr presépios: Visitar os presépios no Natal.
Correr trecho: Fazer longa caminhada.
Cortar o leite: Coalhar o leite.
Crescer em cima: Reagir com vigor, avançar.
Criança birrenta: Criança manhosa.
Curicaca-Pantaneira: Ave cinza-chumbo, tipo íbis, com olhos e patas vermelhos.

EXPRESSÕES REGIONAIS
Caça mé: Caça mel. Com olho apertado para ver melhor.
Caçando lagartixa: Fazendo pouco.
Cada um com o sheo (seu) dele: Cada um a seu modo, à sua maneira.
Canhaém, canhaém: Semelhante ao latido de cachorro, para discordar.
Cair na gandaia: Cair na farra.
Cara de broa: Rosto gordo e redondo.
Cara de caju: Rosto pequeno.
Cara de réu: Emburrado.
Cara lambida: Cara de sem vergonha.
Carregador de frutas: Vendedor de frutas.
Casa pegada com outra: Casa junta a outra.
Casca de ferida: Pessoa de difícil trato, encrenqueiro.
Castigo do capeta: Punição rigorosa.
Catingudo qui nem gambá: Fede demais.
Cavalo baldeiro: Cavalo que pula e dá coice.
Cepo de ...: Grande, forte, em relação a alguém ou a algo.
Chibata em punho: Chicote ou chibata na mão.
Chamar na chincha: Repreender alguém.
Chapa e cruz: Autêntico, legítimo.
Cheia de badulaque: Muita coisa de pouco valor amontoada.
Cheia de nove horas: Pessoa arrogante e antipática.
Cheirando mais do que maleta de barbeiro: Cheiroso.
Chequetré da cabeça: fraco da idéia, desorientado.
Chia lá: Espia lá, olha lá.
Chiou no mourão de rédea: Foi castigado por alguma coisa.
Chispa daqui: Vá embora, saia.
Chocar como jacaré: Não tirar os olhos de alguém.
Chuça e rebuça: Provoca e resolve.
Chumbo trocado não dói: Quando alguém vinga alguma coisa.
Chuva-de-molhar-bobo: Chuva fraca, que nem chega a molhar.
Coalhado de gente: Cheio de gente.
Coisa e loisa: Isto e aquilo.
Cô ocê...: Com você...
Com farpa: Com ponta, algo ponteagudo.
Comer de vianda: Comer de marmita.
Comeu até fazer bico: Comeu demais.
Comeu carne seca?: Quando alguém está bebendo muita água.
Como é que é?: Como é? E dai?
Como é que ele teve a cachimônia de fazer isso?: Como ele inventou isto?
Como não...: Claro que sim, confirmando.
Comprar porco: Estar perdido, sem saber para onde ir.
Conheceu papudo?: Bem feito, aprenda com isto.
Conversa de cerca Lourenço: Arrodeio antes de chegar no assunto.
Cor de burro fugido: Cor indefinida.
Costas-largas: Pessoa protegida por alguém de prestígio.

LETRA D
PALAVRAS SIMPLES
Damasco: Tecido de seda com desenhos em relevo.
Danado: Levado, arteiro.
Daninheza: Travessura, traquinagem.
Debandar: Ir embora, sair.
Defluxo: Resfriado, gripe, coriza.
Defrontar: Derrubar, no sentido de cortar o mato.
Degote: Decote (como era pronunciada em Algarve)
Degotado: Decotado (como era pronunciada em Algarve).
Delir: Diluir, dissolver (palavra antiga, do Século V), com pouco uso.
Delivrance: Parto.
Dereito: Direito.
Derriçar: Derrubar.
Derrubada: Quando derruba o mato.
Desacorçoado: Desmotivado, com preguiça.
Desastrado: Desajeitado, não faz algo corretamente.
Descabriado: Desorientado, perdido, sem rumo.
Descampado: Em campo aberto.
Descangotado: Dormindo a sono solto, com a cabeça de lado.
Descarnar: Emagrecer, perder peso.
Descobrar: Vingar, retribuir, dar o troco.
Descompensado: Desnivelado, fora de nível.
Desdenhar: Desmerecer, não dar atenção.
Desengonçado: Desajeitado, desorganizado.
Desenxabido: Triste, sem graça, deprimido, sem entusiasmo.
Desforrar: Vingar, descontar.
Desforro: Vingança.
Desgarrar: Extraviar, afastar-se.
Desgramado: Demais, em excesso.
Desguaritado: Sem rumo, sem destino.
Desquaritar: Sair sem destino ou rumo.
Desinflar: Esvaziar antigas bolas de futebol.
Deslindar: Solucionar.
Desmonte: Tirar a terra sob o cascalho, buscando jazidas de pedras preciosas.
Desmontar: Retirar o desmonte.
Desmilinguido: Fraco, doente.
Desmilinguir: Esmorecer, enfraquecer.
Despejo: Monte de terra ao lado de uma mina, entulho.
Despois: Depois.
Despotismo: Grande quantidade, abundante.
Dereito: Direito, correto.
Dessedentar: Matar a sede, beber água.
Destempero: Perder o controle emocional, agressão.
Desvalido: Abandonado, sem apoio.
Dezasseis: O mesmo que dezesseis.
Dezassete: Corresponde a dezessete.
Difruço: O mesmo que defluxo, gripe.
Diguada, ou liquada: Água dos rios com cinzas das queimadas, que serve para curtir couro, e é levada pelas chuvas, reduzindo o oxigênio.
Discabelado: Desesperado.
Discobrar: Dar o troco por alguma agressão sofrida.
Discontar: Vingar, desforrar.
Disengonçado: Sem jeito.
Disenxavido: Sem vontade de fazer qualquer coisa.
Disfeita: Desprestígio, desagrado.
Disgrama: Infortúnio.
Disgualepado: Destroncado, desorganizado.
Dismilinguido: Fraco, frágil.
Disparate: Muito, demais, grande quantidade.
Disparou: Descontrolado, sem obedecer a comando.
Dispencando: Caindo.
Dispidição: Momento da despedida.
Dispois (ou Adispois): Depois.
Distampatório: Agressão verbal, discussão violenta.
Distemperado: Briguento.
Distemperar: Perder a calma, o controle.
Distrambelhada: aloucada, não tem juízo.
Distrenado: Desacostumado.
Divisa: Limite entre propriedades rurais, identificação na orelha do animal.
Dobrado: Alguém robusto, forte.
Domação: Como amansar o animal.
Dordolhos: Tipo de conjuntivite, irritação dos olhos.
Durar: Demorar, tardar.
Dureiro: Parte endurecida de alguma coisa ou parte do corpo.
Duro: Forte.
Dus: dois.

PALAVRA COMPOSTA
Dar birra: Quando a criança chora muito.
Dar de ouvir: Tem condições de se ouvir, dar para ouvir.
Dar chepa: Dar carona.
Dar corda: Estimular.
Dar cria: Parir.
Dar no pé: Ir embora.
Dar parte: Denunciar, reclamar, apresentar queixa.
Dar praia: Quando surge areia nas margens dos rios.
Dar rodeio: Reunir o gado em rodeio.
Dar tábua: Recusar ao convite para dançar.
Dar trela: Dar atenção, ouvir alguém, no sentido pejorativo.
Dar um estirão: Fazer uma caminhada.
Dar uma lapada: Usar o cinto ou cinturão, contra alguém.
De algo: Alguém na posição de lado.
De soslaio: Olha com atenção, mas sem demonstrar a intenção.
Debulhar o milho: Tirar os grãos de milho da espiga seca.
De chupetão: De surpresa.
De criame: De criação.
De sorte que...: Continuando o assunto (desde a Capitania).
Despotismo de...: Abundância de...,
Dobrar alguém: Convencer alguém.
Doce de mamão espelho: De mamão verde, em fatias.
Doença de peito: Tuberculose.

EXPRESSÕES REGIONAIS
Da boca para fora: Falar algo que inventa.
Da donde?: De onde?
Dá o pira daqui: Vá embora, saia daqui.
Dá que racha: Em excesso, fartura.
Danado da vida: Com raiva.
Dar (botar) banca: Causar falsa impressão, querer aparecer.
Dar no padre: Fraquejar.
Dar uma rasteira: Derrubar alguém com o pé, prejudicar alguém.
Dar tábua: Quando a moça não aceite convite para dançar.
Dar vau: Permitir a passagem do animal nas águas sem nadar.
Deitou o cabelo: Correu forte, rápido.
Deixa está jacaré, sua lagoa há de secar: O revide vem depois.
Deixa de ser tonta: Deixa de ser boba.
Deixar o bezerro no tampo: Amarrar o bezerro na hora de leitear.
De arga: De lado, obliquamente.
De ameio: compartilhado (dividido) com outro.
De butuca: Na espera.
De carreira: Depressa, logo.
De chapa e cruz: Autêntico, verdadeiro.
De déo-em-déo: Sem rumo.
De um tudo: De tudo.
Deu uma chispada: Foi embora.
Deu um sumiço: Desapareceu, escondeu em algum lugar.
De déu-em-déu: De um lugar para outro, sem rumo.
De cata-quirera: Fazendo muita coisa ao mesmo tempo.
De cata-mamona: Procurando algo em vários lugares.
De gatinho: Andar se arrastando, cansado.
De graça: Grátis.
De mão abanando: De mão vazia.
De nariz furado: Está apaixonado, está decidido.
De pirraça: Para insultar.
De pito aceso: Com todas as forças, excitado, apressado.
De que será?: Não acredito.
De um tudo: De tudo.
De rabanada: Visita curta, de passagem.
De sorte que...: De tal sorte que...
De sete costados: Autêntico.
De vez: Fruta quase madura.
De verso a cantiga: Duas coisas diferentes.
Deshoras: Tarde, às tantas horas.
De japa: Cortesia de quem vendeu alguma coisa.
De mamando a caducando: De novo a velho, todos.
De porteira fechada: Compra ou venda total de uma propriedade rural.
Dês...: Desde que...
De supetão: Imprevisto, de repente.
Demás...!: Expressão usada para discordar.
Demás de...: Muito, demais.
Demás de apurado com...: Está demais apressado com...
Demás de bom: Ótimo, bom demais.
Demás de povo: Muita gente, um grande público.
Demás de quente: Está muito quente.
Deu na sapituca: Resolveu fazer alguma coisa de repente.
Deus que assista: Agradecimento a convite para comer.
Deus te crie para o bem: Ao cumprimentar os jovens.
Deus lhe dê saúde: Dizem os pais quando os filhos espirram.
Deus te proteja ou te acrescente: Cumprimento entre adultos, desejando votos de bem estar e de felicidades.
Deus te proteja ou te acrescente e não me falte: Cumprimento entre adultos, desejando felicidades ao próximo e a si mesmo.
Dia de despacho: Dia de se abastecer no armazém da fazenda.
Disgramado de bom: Ótimo, exímio.
Diz que...: Estão dizendo que...
Dois-de-pau: Alguém apagado, que fica parado, sem iniciativa.
Dona menina: Tratamento respeitoso a uma moça.
Dormindo de touca: Descuidado.
Dor nos quartos: Dor nas cadeiras (entre a cintura e a coxa).
Duvidá: Se duvidar, talvez, é possível, com esperança.

LETRA E
PALAVRAS SIMPLES
Edênica: Como no Éden, no céu.
Efetivo: Antigo.
Eflúvios: Emanações.
Embarcadista, embarcadiço: Quem trabalha embarcado.
Embaúba: Madeira (morácea) muito usada para fazer “pau de sebo”.
Embira: Fibra usada para fazer corda e palha.
Embonecar: Enfeitar.
Emboquecado: Desestimulado, não quer participar.
Embotocado: Encurvado.
Embotocar: Ficar em forma de bodoque.
Embromador: Quem fica atrasando, enganando, tapeando, preguiçoso.
Embrombar: Atrasar quando está fazendo alguma coisa.
Emburrado: Zangado, com cara feia.
Emburrar: Ficar com raiva.
Empacado: Parado, emburrado.
Empachado: Quem está com gases no estômago.
Empacado: Parado.
Empacou: Parou, não sai do lugar.
Empalamado: Anêmico, pálido, amarelo.
Empanzinado: Quem comeu demais e não faz digestão.
Empanturrado: Está bem alimentado e não quer mais.
Empedrado: Endurecido.
Empetecar: Embelezar, enfeitar.
Empombar: Encrencar.
Emprasto: Preguiçoso, quem faz as coisas devagar.
Encabrestrar: Amansar os animais no Pantanal, colocar o cabresto.
Encafifado: Intrigado, preocupado.
Encafuado: Escondido.
Encafuar: Esconder-se ou demorar muito em algum lugar.
Encalistrar: Encabular, encafifar.
Encarangado: Paralisado pelo frio ou doença, aleijado.
Encarapitar: Subir em algo apressadamente.
Encarnar: Não largar.
Encasquetar: Pensar em uma única coisa.
Encastoar: Proteger a embalagem de algo enrolando papel.
Encorpar: Engrossar o caldo, engordar.
Encosto: Companhia indesejável ou onde se encosta.
Encravado: Enfiado, no meio.
Encrespar: Reagir em desagrado a alguma atitude.
Enfarada: Enjoada.
Enfarruscado: Tempo fechado, nublado, brusco.
Enfatiotada: Bem vestida.
Enfastiado: Sem apetite, sem fome.
Engabelar: Enganar, enrolar, alguém.
Enganchar: Prender, dependurar, ficar.
Engatar: Chegar perto de moça com quem pretende conversar.
Engomar: Passar a roupa a ferro, alisar a roupa.
Engodar: enganar.
Engrasando: Misturando, unindo, somando.
Engrasar: Misturar.
Engrouvinhado: Enrugado, amassado.
Engrouvinhar, engruvinhar: Amassar.
Enleiar: Enrolar, prender em algo.
Enleiado: Envolvido.
Enricar: Enriquecer, ficar rico.
Enrosco: Alguém que só atrapalha ou algo enrolado.
Entalado: Engasgado, entupido.
Entanguido: Com muito frio, morrendo de frio
Entojado: Enjoado, entediado, aborrecido, do espanhol “enojado”.
Entojar: Causar nojo (português culto).
Entonce: Então, e agora (espanholismo).
Entrevado: Sem poder andar.
Entroxar: enfiar, meter, introduzir, demais.
Exagerar em dar ou fazer algo.
Entrudo: Tradição de jogar água no outro, como brincadeira.
Entubigaitado: Cheio, com excesso de algo.
Enveja: Inveja.
Envejar: Ter inveja.
Enveja de ...: Ter inveja de ....
Enxarquerar: Fuxicar.
Enxarquerava: Fuxicava.
Enxerido: Intrometido.
Enxotar: Expulsar, mandar ir embora.
Esquisistomosis: Esquistossomose.
Erado: Adulto, com bastante idade.
Eriçado: , Arrepiado, entusiasmado, interessado.
Escalafobético: Coisa estranha, sem nexo ou sentido.
Escaldado: Saboroso caldo com farinha de milho e ovo.
Escancarar: Fazer demais.
Escancarado: Demais.
Escápula: Armador de rede.
Escarcéu, escaricéu: Escândalo, confusão, agitação, tumulto.
Escarrapachado: Espalhado, à vontade.
Escarreirar: Correr atrás de alguém.
Escornado: Cansado demais.
Escorraçar: Expulsar com violência, ou desprezo..
Escrava: Bracelete, pulseira.
Escuitar: Escutar.
Escurraçar: Expulsar alguém com raiva.
Esgoelando: Gritando demais.
Esgravatar: Ciscar, remexer.
Esgualepado: Desarrumado.
Espalhafatosa: Exagerada demais.
Espandogado: Desengonçado, desarticulado.
Espaventado: Desastrado, desajeitado.
Espelho: Doce de mamão verde, em calda, cortado em lascas finas.
Espeloteado: Danado, amalucado.
Espera: Local usado pelos caçadores para aguardar a caça.
Especular: Perguntar com interesse e insistência.
Espevitadeira: Apagador de borrão de vela.
Espinha: Refere-se à parte óssea do peixe. Diferente de espinho.
Espinhaço: Coluna vertebral.
Esporear: Meter esporas na barriga do animal.
Estabanado: Sem controle, desajeitado, derrubando tudo.
Esteira: Espécie de tapete feito com hastes de “pripiri”.
Esterco: Estrume animal.
Estilingue: Funda, com forquilha de madeira e borracha.
Estirão: Cumprimento da corda, grande distância.
Estoporado: Vítima de forte calor.
Estorvar, estrovar: Atrapalhar, prejudicar.
Estorvo: Problema, empecilho.
Estouvado: Alguém desajeitado, desastrado.
Estragado: Podre.
Estrambótico: Estranho, esquisito, ridículo.
Estrilar: Zangar.
Estrisiado: Muito magro.
Estropiado: Cansado ao extremo, esgotado.
Estropício: Algo ou alguém que incomoda.
Estucado: O perdedor sem condições de se recuperar.
Estufado: Inchado.
Esturricar: Sapecar, queimar.
Esturricado: Queimado.
Estúrdio: Extravagante, exagerado.
Esturro: Grito forte, urro da onça acuada.
Etagér: Armário de sala de jantar.
Expediente: Disposição ou capacidade para fazer algo.
Experiente: Benzedor, curandeiro.
Exportador: Grande comprador de diamantes.

PALAVRA COMPOSTA
Embandeirado com ...: Acompanhando alguém, seguindo alguém.
Embandeirar com ...: Acompanhar alguém, seguir alguém.
Em riste: Em pé, a prumo, pronto para enfrentar.
Erva de bicho: Planta medicinal usada para combater verme.
Escorar a porta: Pôr alguma escora na porta.
Escora cavaleiro: Gado que avança sobre pessoas.
Está afrontado: Está cansado, ofegante.
Está amuado: Está triste.
Está cheio de...: Bem alimentado de..., já não suporta mais.
Está cheia: Está grávida.
Está com comichão de...: Está com vontade de fazer alguma coisa.
Está empachado: Está com o estômago cheio, comeu demais.
Está entanguido: Está com frio, gelado.
Está esgarçado: Está rasgado.
Está escarrapachado: Está à vontade.
Está extraviado: Está perdido.
Está gramando: Está sofrendo, está perdendo.
Está manjado: Está conhecido, pejorativamente.
Está ovando: Está sentado há muito tempo, está observando de longe.
Está podró: Está fraco, débil.
Está ralo: Fraco, fino, pouco gosto.
Está touceira: Está metido, pernóstico.

EXPRESSÕES REGIONAIS
E aí?: Então...Como é que fica?
Êh ah!: Ora. Expressão de espanto ou surpresa.
Eh, anzór de prego: Diz o pescador para quem perdeu o peixe.
E aí xô mano, tudo em cima?: Cumprimento amigável.
E aí xô mano, tudo djóia?: Cumprimento amigável, dos mais jovens.
É’ bem ai, assim: É logo aí, é perto, é logo em seguida.
E´ bocó: Pessoa acanhada, caipira, trouxa.
É cara de um, focinho do outro: Pessoas que têm fisionomias semelhantes.
É catinguento que nem gambá: Fede demais.
É chinchin: É pouco, é insignificante.
É’ dado: É de graça, grátis
É da lavra de...: É de autoria de...
É descansado demais: É tranqüilo, é preguiçoso.
É de lua: Fica mal humorado de uma hora para outra.
É’ digoreste: Tem boa pontaria, é exímio, acertou no alvo.
É largo demais: É felizardo, tem muita sorte.
E’mais chato do que rapa canoa: É chato demais.
É’ mato: É’ demais, muito.
Engrasar com...: Misturar com...
É um borra-botas: Não vale nada.
É um pancada: É abobalhado, idiota.
Emborcou o barco: Virou o barco debruço, afundou o barco.
Emenda o dia com a noite: Dormir até tarde.
Engasga gato: Comida ruim, mal feita.
Entregue aos máscaras: Sem apoio de ninguém.
É oreia: É burro, ignorante.
É quarta feira: É pessoa boba.
Erva de cão ou flor de cachorro: Cocô de cachorro.
Esse bicho: Dito popular a respeito de cobra, evitando dizer o nome.
Escrever no cascalho: Procurar pedra preciosa no cascalho.
Escorrega que nem quiabo em boca desdentada: Escorregadio demais.
Esse um: Esse alguém, esse tal, sem citar o nome.
Espanta Coió: Pequeno explosivo, acionado por lixa.
Espia lá: Olha lá, veja lá.
Espia só!: Só faltava esta.
Esse guri não sossega: Esse guri não para, não se aquieta.
Está afim de: Está querendo alguma coisa.
Está arrumado: Quem está em boa situação financeira.
Está bem fresco: Está tranqüilo, na boa, sem problemas.
Está caju por ...: Está apaixonado por...
Está com a avó atrás do toco: Está desesperado, sem rumo.
Está com feição alegre: Está alegre, feliz.
Está com feição triste: Está triste, infeliz.
Está com ovo atravessado: Irritado, zangado.
Está com cólica: Está com dor de menstruação.
Está com quentura: Está preocupada, inquieta.
Está com tanchim?: Quando alguém está sem sossego.
Está de bicho carpinteiro no corpo: Não consegue parar.
Está de bom tamanho: Na medida ideal.
Está de calundú: Está de mal humor.
Está de chico: Está menstruada.
Está de grande: Está importante.
Está de espinhela caída: Dores no tronco ou na espinha dorsal.
Está de nariz furado por...: Está apaixonado por...
Está encrespado: Está com raiva.
Está de pendenga com ... : Está de briga com ...
Está desmanchando: Está se acabando.
Está inteirado: Está cheio, não suporta mais.
Está com ovo virado ou está com ovo atravessado: Está irritado, zangado.
Está de veneta: Está mal humorado.
Está de suêto: Está de folga.
Está empacado que nem uma mula: Emburrado, nada faz.
Está engasgado: Não define, não resolve.
Está entregue: Está sem ânimo.
Está escuro que nem breu: Está escuro demais.
Está fazendo boca para comer: Está com vontade de comer.
Está gorando: Está desejando algo ruim, que não dê certo.
Está mordido: Está com raiva.
Está na vidraça: Mulher sem anágua, contra o Sol.
Está no banho: Está tomando banho.
Está jegue: Está mal vestido.
Está jururu: Está triste, calado.
Está largado: Está separado matrimonialmente.
Está larido: Está faminto, esfomeado, insaciável.
Está moído: Está cansado demais.
Está parado: Está desempregado, sem fazer nada.
Está por um quero: Está faltando pouco para fazer algo.
Está ressecado: Está com prisão de ventre.
Está um (num) bagaço: Está cansado, está esgotado.
Está que só (nem) criquiri: Não dá sossego.
Está supitado: Comeu demais.
Está um bacheiro: Está sujo, surrado.
Está um caco: Está cansado demais.
Está um forno: Está quente demais.
Está variado: Não está falando coisa com coisa.
Está voando: Está distraído.
Estava borrando de medo: Estava com medo.
Estou que nem capa da gaita: Cansado, em péssimo estado, usado demais.
É bem ai: Mesmo com o destino é bem longe.
É cha mãe: É a sua mãe.
É um bate bruaca: Quem anda atôa, sem rumo.
É um bom será: Quem acha que tudo está bom.
É um caça mel: É uma pessoa que tem dificuldade de ler.
É um cão chupando manga: Refere-se a alguém feio demais.
É um chão: É bem longe.
É um quarta feira: Palerma, pateta.
É uma anta: É ignorante, é bruta.
É o mesmo que mandar lembrança para quem não conhece: Não vai dar em nada.

LETRA F
PALAVRAS SIMPLES
Faiscador : Comprador de pedras preciosas no garimpo.
Famaná: Famoso, importante.
Fanchono: Homossexual ativo.
Fanho: Fanhoso.
Farnel: O mesmo que matula, comida para viagem.
Fatiota: A melhor roupa.
Fedegoso: Planta medicinal ótima para combater verme.
Ferrotoada: Picada de inseto, cutucada.
Fervedouro: Rebuliço, agitação, confusão.
Famaná: Pessoa importante.
Ferpa: Dinheiro.
Festar: Festejar, comemorar.
Filosofina: Nome de uma lancha de Apolônio Bouret, fazendeiro do Pantanal e comerciante do Porto, em homenagem à filha, com esse nome.
Fincar: Enfiar, introduzir.
Finuínho: Algo muito fino.
Figa: Defesa religiosa, com sinal da cruz.
Fiofó: Ânus.
Flanar: Sair sem rumo certo.
Flober: Nome popular de espingarda antiga, calibre 22.
Fogaréu: Muito fogo.
Folia: Grupo de pessoas tirando esmolas para festa de santo.
Foló: Frouxo, largo, folgado.
Forje: Buraco para caçar animais.
Formar: Ficar o peão ao lado das rezes.
Formalidade: No acerto, no acordo.
Fortidão: Exemplo de fortaleza, de força física.
Foqueteira ou fouqueta: Mulher assanhada.
Foveiro, fouveiro: Desbotado, quase sem cor.
Francisquito: Biscoito de trigo, com ovos, banha e leite.
Franzido: Enrugado.
Freje: Briga ou bagunça, baileco.
Frescal: Carne salgada, ainda não completamente seca.
Fresco: Metido.
Friagem: Período de frio entrecortado de baixa temperatura.
Friajão: Quando o frio é muito forte.
Frontear: Ficar por perto, aproximar-se de...
Fruita: Fruta.
Fuá: Desordem, confusão.
Fuça: Rosto, cara, focinho.
Fuçar: Revolver, remexer, cutucar, alguma coisa.
Fuero: Petrecho de carro de boi.
Fufu: Pulmão.
Fumo: Fita preta, de luto, no braço do paletó.
Funda: Estilingue, com forquilha, borracha e couro.
Furrundu, furrundum: Saboroso doce de mamão verde com rapadura e gengibre.
Furupa: Festa de arromba.
Fusco: Opaco, branco sujo, escuro.
Fuxicaiada: Fuxico demais.
Fuxico: Mexerico.
Fuzarca: Bagunça.
Fuzilando: Relâmpagos demais, com muitos trovões.
Fuzilar: Relampejar, ação de descargas elétricas no céu.
Fuzilo: Relâmpago.
Fuzuê: Confusão, bagunça.

PALAVRA COMPOSTA
Fazer cubu: Fazer feitiço.
Fazer um estirão: Caminhar até longe.
Feijão empamonado: Feijão cozido e engrossado com farinha.
Fêmea Coberta: Fêmea prenhe.
Finca-finca: Jogo infantil, com haste de ferro na areia.
Foi pinto: Foi pouco.
Fôrma de diamante: Tipo de pedra que é sinal de existir diamante.
Fruta-de-vez: Fruta quase madura.

EXPRESSÕES REGIONAIS
Fala qui nem uma matraca: Fala demais, sem parar.
Falar pesado: Falar se excedendo no sotaque cuiabano.
Falta de modos: Sem educação.
Faz tempo: Há muitas horas.
Fazendo cera: Fazendo de conta que está trabalhando.
Fazendo que nem...: Fazendo igual a...
Fazer birra: Quando a criança chora e esperneia no chão.
Fazer chichi: Evacuar, obrar.
Fazer chacota: Ironizar, rir.
Fazer de carreira: Fazer com urgência.
Fazer de conta que...: Fingir que...
Fazer um de tudo: Fazer de tudo.
Fazer figa: Cruzar o dedo para evitar o mal.
Fazer fita: Querer aparecer, chamar a atenção.
Fazer fidúcia: Fazer cerimônia, ser formal.
Fazer fiúza: Esperar algo.
Fazer micage: Exagero de gesto, imitação, careta.
Fazer o comer: Fazer a comida.
Fazer o quilo: Costume de descansar após o almoço.
Fazer o saco: Nos garimpos, quando o “meia-praça” recebe a provisão de comida.
Fazer pirraça: Intrigar, agredir.
Fazer um de tudo: Fazer de tudo.
Fazer um gato: Fazer uma ligação clandestina.
Fazer um rasgo: Gastar acima do normal.
Feio que nem cão chupando manga: Horrível.
Feito dois de paus: Ficar em pé sem fazer nada.
Fica quieto: Não espalhe.
Ficar alterada: Ficar com raiva.
Ficar com cara de lata: Ficar sem graça.
Ficar com cara de tacho: Ficar sem graça.
Ficar de déu-em-déu: Ficar de um lugar para outro, sem rumo certo.
Ficar de espreita: Ficar na espera, ficar aguardando.
Ficar de gatinho: Estar cansado demais, andar devagar.
Ficar de guarda: Ficar de plantão.
Ficar de "ora veja": Ficar sem receber algo, ser enganado.
Ficar jururu: Ficar triste, Ficar quieto.
Ficou demás de fraco: Ficou muito fraco.
Ficar besta: ficar admirado.
Ficar esperto: Ficar atento.
Ficar mordida de raiva: Ficar com muita raiva.
Ficar no ora, veja...: Ficar na mão, ganhar e não levar.
Ficar pasmado: Ficar surpreendido.
Ficou fofo de esperar: Esperou demais.
Ficou jururu: Ficou triste.
Figa!: Deus me livre.
Filar a bóia do vizinho: Comer na casa do vizinho.
Filho derradeiro: Filho caçula.
Filho natural: Filho fora do casamento.
Filho torto: Filho fora do casamento, mas reconhecido.
Foi afrontado: Foi insultado.
Foi um Deus nos acuda: Foi uma confusão, um tumulto, uma agitação.
Foi um tropé...: Foi uma confusão...
Frechar no serviço: Concentrar todo o esforço no serviço.

LETRA G PALAVRAS SIMPLES
Gafeira: Coceira em geral.
Gaferenta: Quem está com gafeira.
Gaitada: Gargalhada ou risada exagerada.
Galigueira: Doença venérea.
Garapa: Caldo de cana.
Gato: Quem contrata trabalhadores para seringais, fazendas ou garimpos.
Galinheiro: Nas touradas cuiabanas, era a parte inferior dos camarotes.
Galpão: Alojamento de peões nas fazendas.
Gambiarra: Ligação clandestina.
Gambira: Negócio, comercialização.
Gancharia: Mato demais.
Gandáia: Farra.
Gangento: Quem é vaidoso demais, cheio de si.
Gangrena: Morte e apodrecimento dos tecidos de qualquer parte do corpo.
Ganzá: Instrumento musical usado no Cururu, feito de bambu.
Garimpeiro independente: Garimpeiro que trabalha por conta própria.
Garité: Barco grande nos rios pantaneiros, corruptela de igaraté.
Garupeiras: Cordas finas de couro para amarrar a traia do vaqueiro do Pantanal.
Garrancho: Caligrafia ruim.
Garrar: Agarrar.
Garrocha: Pau roliço pontudo que o “capinha” usava nas “Touradas Cuiabanas”.
Garrote: Novilho de dois a quatro anos.
Garrucha: Revólver antigo, muito usado no Pantanal.
Gasimira (pronúncia de Algarve): Casimira.
Gasolina: Pequeno barco a motor, no Pantanal, movido a gasolina.
Gasóleo: Antiga denominação do óleo diesel no Pantanal.
Gasosa: Refrigerante ou água com gás.
Gatanhar: Arranhar, namorar fora do limite.
Gavar, ou gabar: Elogiar ou valorizar uma pessoa, alguma coisa.
Gazeteiro: Quem falta à aula ou ao trabalho, para vadiar.
Ginete: Quem é bom para domar cavalos e burros.
Girau: Mesa improvisada, usada na zona rural.
Gorar: Não dar certo, não realizar, prejudicar.
Gordurame: Comida, bóia.
Gramar: Sofrer, no sentido figurado.
Gravatá: Planta espinhenta do Pantanal, ou local de difícil acesso.
Grocochó: Pessoa desanimada.
Grude: Mistura cozida de polvilho e água.
Grupiara: Depósito natural de cascalho de diamante.
Guacha: Feito de couro e madeira para "tocar" ou "domar" animais.
Guacho: Animal criado por peões. Fica manso quando cresce.
Guaiaca: Cinto de couro cru onde o peão coloca arma e munição.
Guaiaco: Porco que não é castrado.
Guampa: Vasilha feita com chifre de rês para se tomar água e mate chimarrão
(teréré).
Guarda: De couro curtido, protege a perna do pantaneiro.
Guenzo: